Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 19/11/2020
Durante o século XVIII, Thomas Malthus propôs a hipótese na qual haveria uma fome mundial devido ao aumento populacional em progressão geométrica e alimentício em progressão aritmética. Hoje, porém, sabe-se que, apesar dos alimentos crescerem exponencialmente, contrapondo-se à hipótese de Malthus, a preocupante carência nutricional da população está ligada à má distribuição de alimentos. Nessa conjectura, analisar as causas do acesso não democrático aos alimentos e, ainda, as suas terríveis consequências, como a subnutrição, é preciso.
Cabe, a priori, ressaltar a importância fundamental de analisar as causas do acesso não democrático aos alimentos. Isso porque, ao exemplo brasileiro, é garantido o direito à alimentação adequada pela Constituição Federal, mas, oposto a isso, é observável a não efetividade de sua lei. Um bom exemplo disso, é a preocupante divergência em realidades simultâneas, nas quais de um lado o Brasil é o segundo maior produtor de alimentos do mundo e, do outro, morrem 15 pessoas por dia em seu território por carência alimentar, segundo a ONU.
Ademais, é preciso que as consequências dessa má distribuição, como a subnutrição, sejam analisadas. Isso, devido ao fato de que, numa esfera hodierna, uma em cada nove pessoas é subnutrida e o acesso antidemocrático à alimentação adequada gera grandes desperdícios. Tal panorama se evidencia, por exemplo, na taxa de desperdício anual de 30% de toda a comida comercializada no mundo, o que encarece tal commodity pela “lei” econômica da oferta e da procura e contribui para perpetuar o ciclo da má distribuição.
Destarte, fica claro que coibir a disposição desproporcional alimentícia é, também, coibir a subnutrição, e tal feito urge. Portanto, compete à esfera legislativa promover leis que assegurem, junto ao Ministério da Cidadania, programas sociais que, com associação de distribuidoras de alimentos e restaurantes populares, combatam o não aproveitamento de comidas em bom estado e redistribuam essas, mediante “pratos feitos” mais baratos, em locais estratégicos, para as pessoas de poder aquisitivo médio-baixo, e entrega mensal de cestas básicas para a população carente,com fito de mitigar a subnutrição e a fome brasileira. Dessa forma, possibilitar-se-á, a criação de uma hipótese neomalthusiana, na qual os alimentos crescerão em progressão geométrica e os problemas alimentares diminuirão na mesma proporção.