Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 09/12/2020

No livro autobiográfico de Carolina Maria de Jesus, “Quarto de Despejo”, a autora retrata as desigualdades sociais vividas, mas o que chama mais atenção na obra é que a fome torna-se a personagem principal. Hodiernamente, essa realidade persiste, devido à má distribuição de alimentos, perpetua-se a subnutrição no país, decorrente da negligência estatal e do agronegócio ostensivo.

A priori, é preciso ressaltar como o Estado age de forma negligente no que concerne a subnutrição e a má distribuição de alimentos. Segundo a agenda de 2030, os países signatários da Organização das Nações Unidas, que inclui o Brasil, se comprometeram à erradicar a fome. No entanto, medidas efetivas para isso não estão sendo tomadas pelos órgãos governamentais. Prova disso é o retorno do Brasil ao Mapa da Fome, no qual aponta que mais de 10 milhões de brasileiros estão passando por insegurança alimentar grave, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Nesse viés, percebe-se como o Governo é omisso devido à falta de políticas públicas que mitiguem essa problemática,  que infere no no bem estar social, uma vez que a alimentação adequada é primordial para o desenvolvimento humano.

Ademais, é necessário explicitar como o agronegócio pode corroborar a má distribuição de alimentos dentro do país e ser um fator da subnutrição. Isso porque ele age na premissa máxima do capitalismo, visando o lucro e a exportação. Nesse contexto, desenvolver a agroindústria baseada na produção em larga escala de determinadas commodities, suprimi o pequeno agricultor e a agricultura familiar, pois mantém o latifúndio nas mãos de poucos. Assim, a pobreza relativa aumenta, devido aos pequenos agricultores serem submetidos a trabalharem para os grandes ruralistas, ganhando salários miseráveis. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, a produção agrícola atual é suficiente para alimentar toda a população. No entanto, isso não ocorre, uma vez que a larga produção é para exportação e as pessoas que ajudam a produzir são marginalizadas, mal remuneradas e impostas ao alto custo dos produtos, perpetuando, cada vez mais, a subnutrição.

Portanto, visto as causas da má distribuição de alimentos no país, é necessário medida que reverta a subnutrição. Para isso, urge que o Ministério da Cidadania, órgão responsável pelo assistencialismo, crie um projeto de distribuição de cestas básicas aos necessitados. Esse projeto será efetivado pelo cadastro único do Governo Federal, o qual os inscritos que comprovarem déficit de renda terão o direito de receber o auxílio, que será composto com itens que contenham os macronutrientes necessários ao desenvolvimento, a fim de combater a subnutrição no país. Dessa forma, a realidade das “Carolinas” do Brasil poderá ser diferente da exposta pela autora em “Quarto de Despejo”