Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 13/12/2020

O filme “O menino que descobriu o vento” narra a superação de uma família enfrente a seca e dificuldade em encontrar comida. Fora da ficção, milhares de famílias lidam com tal horrenda situação diariamente. Essa situação não ocorre pela escassez de alimentos, mas sim pela sua distribuição irregular. O sistema econômico atual, a corrupção e má administração governamental são as causas dessa problemática. Logo, tal situação requere análise, a fim de que seja mitigada.

Em primeiro plano, uma das características do sistema econômico atual, o Capitalismo, é a competição de mercado em relação à recursos. Hodiernamente, é percebível que os países que detém os recursos naturais tem grande parte de suas atividades econômicas focadas em explorar e exportar tais atributos, por meio do extrativismo e agropecuária, fato confirmado no documentário “What the Health”.  No entanto, ainda que tenham a tecnologia para retirar, tais países não detém a tecnologia para tornar tais alimentos apetecíveis e prontos para o consumo. Logo, eles exportam o produto e o compram novamente depois de passar pelos processos necessários. Nessa troca são adicionados impostos, tornando o alimento mais caro e inacessível para uma parcela da população, que é obrigada a basear sua alimentação em produtos mais baratos, porém com valores nutricionais menores. Tal ação resulta em uma alimentação pobre, que eleva os níveis de subnutrição do país.

Em segundo plano, faz se necessário destacar que na Carta Magna Brasileira é atribuído ao Estado o objetivo de acabar com a fome e miséria. Entretanto, no ano de 2020, o país entrou para o Mapa da Fome Mundial novamente, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . Logo, pode-se inferir que o Governo não teve sucesso nesse aspecto, devido á má distribuição de renda no país, demonstrada por dados da Organização das Nações Unidas. O Brasil não é o único país a lidar com a fome e má distribuição de renda simultaneamente, é notável que a maioria dos países em que um desses problemas é presente, o outro também o acompanha. A persistência desse problema demonstra a inaptidão dos países em desenvolver políticas públicas para reverte-lo.

Neste ínterim, é basilar que o Estado, em conjunto com o Ministério da Fazenda e Saúde  adeque o salário mínimo às necessidades alimentícias da população, para que tenham acesso aos alimentos mais ricos nutricionalmente. E, para que a população saiba adequar sua alimentação para diminuir a subnutrição, é necessário que as Unidades Básicas de Saúde disponham de nutricionistas, que acompanhem a  alimentação da população de áreas delimitadas.  Tais medidas proporcionariam as políticas públicas necessárias para que o Brasil saísse do Mapa da Fome, e a situação demonstrada na ficção se limitasse a ela, não ocorrendo nos lares dos cidadãos.