Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 03/01/2021
Em 1964, Mafalda - personagem fictício de Quino - criticou o comportamento humano contra as mazelas socais, alegando viver em um mundo baseado na irresponsabilidade, seja no campo político, seja na área social. Nesse contexto, ela aponta para a fragilidade do sistema público de educação no combate à imobilização social contra a desigualdade de acesso ao alimento. Assim, é necessário impulsionar uma maior reflexão dos desafios enfrentados para solucionar essa problemática.
A princípio, Mário de Andrade afirmava que o histórico mundial deve ser utilizado como mecanismo de reflexão e de aprendizagem, com vistas a permitir que a população evolua de maneira distinta ao passado: minimizando os indíces de subnutrição. Esse pensamento pode ser utilizado para se referir ao contexto do ‘‘American Way Of Life’’ (Estilo de vida americano), quando a sociedade, predominantemente industrial, disseminava a ideia de que a exportação de produtos agrícolas apenas para países desenvolvidos estava diretamente relacionada com o desenvolvimento do país, independente da distribuição desigual de alimentos. Tendo em vista tais fatores, observa-se a construção de uma cultura que banaliza a não acessibilidade à alimentação por países em desenvolvimento e discrimina o indivíduo em estado de subnutrição.
Além disso, é evidente que a influência do ensino, no cultivo de uma ótica social mais consciente, em relação ao direito à alimentação por todos os cidadãos, estabelece a base para o desenvolvimento de uma sociedade mais igualitária e menos discriminatória. Contudo, a ausência de investimentos pelo Ministério da Educação em palestras e em gincanas escolares, ambas capazes de alertar a população sobre a importância de debater e de formular programas de acesso aos alimentos, contribuem para o desconhecimento sobre os riscos da subnutrição. Prova disso, segundo dados da plataforma digital O Globo, uma a cada nove pessoas não somente sofre fome e, consequentemente, problemas no desenvolvimento físico e mental, mas também se encontra em listas de possíveis óbitos.
Depreende, portanto, que ações contra a desigualdade no acesso ao alimento devem ser imediatamente inciadas. Para tanto, o Ministério da Educação, órgão responsável pelo ensino, deve investir em projetos sociais de doação e de distribuição de alimentos em amplo território brasileiro. Isso ocorrerá por meio do fornecimento de locais para a realização dos ‘‘mutirões da conscientização, com o intuito de fornecer alimentos doados para indivíduos que apresentam baixa nutrição corporal. Ademais, cabe ao Ministério das Relações Exteriores propor um acordo entre Brasil, países desenvolvidos e em desenvolvimento, cujo propósito baseia-se no fornecimento de alimentos de baixo custo para regiões com alta taxa de subnutrição, com o objetivo de diminuir esse índice no mundo e a discriminação.