Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 10/05/2021

Com a eclosão da Revolução Verde, na década de 1960, os avanços na biotecnologia possibilitaram a modernização da agricultura em escala global, resultando em um vasto aumento na produção agrícola. Nesse contexto, a disponibilidade de alimentos tornou-se suficiente para atender a demanda de toda a população mundial. Apesar disso, a fome ainda é a realidade de muitos indivíduos, em consequência de um sistema capitalista que acentua as desigualdades socioeconômicas e limita o acesso aos alimentos, priorizando os mais privilegiados financeiramente. No Brasil, esse cenário perverso é consolidado pela falta de engajamento governamental, que falha ao promover políticas eficazes para resolver o problema. Assim, urgem ações humanitárias a fim de democratizar o acesso à alimentação e combater a subnutrição.

A princípio, vale debater acerca do contraditório progresso tecnológico e a persistência da fome na sociedade brasileira.  Na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que, no ano de 2020, o país foi capaz de produzir alimentos para um bilhão de pessoas. Em contrapartida, a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar indicou que, nesse mesmo período, 19 milhões de brasileiros passaram fome. Esse contraste evidencia a face nefasta da dinâmica capitalista, protagonizada pelo agronegócio, que, ao priorizar a exportação dessas mercadorias, desregula o mercado brasileiro e promove o encarecimento dos produtos. Nesse sentido, a busca pelo maior lucro possível prevalece em relação à melhoria da qualidade de vida humana.

Posteriormente, cabe elucidar os impactos da concentração alimentícia e da carência de políticas de combate à subnutrição. Quanto a isso, o documentário brasileiro “Ilha das Flores” narra a trajetória de um produto orgânico, desde a colheita até o seu destino final — os depósitos de lixo, onde este ainda serve de alimento para as populações carentes que vivem ali. Nessa perspectiva, o indivíduo é exposto a condições indignas de vida e luta pela sua sobrevivência, reflexo de um contexto de negligência e desumanidade, que faz com que poucas pessoas tenham muito e muitas pessoas tenham pouco. Agravante a isso, o Estado se faz indiferente perante esse quadro de desigualdade.

Portanto, tendo em vista essas questões, é preciso que o Ministério da Economia amplie o poder de consumo da população mais vulnerável, por meio da ampliação de programas de distribuição de renda, os quais devem, obrigatoriamente, transferir o valor arrecadado de impostos de grandes empresas à população carente. A partir disso, será possível combater a perversividade intrínseca ao capitalismo e, então, possibilitar a difusão alimentar em toda a sociedade, garantindo a dignidade e a cidadania aos cidadãos brasileiros.