Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 11/05/2021

A teoria Malthusiana, criada em 1798 pelo filosófo iluminista Thomas Malthus, defendia que o crescimento exponencial da população mundial seria o responsável por sérios problemas alimentares. Contudo, a partir do advento da Primeira Revolução Industrial- acontecimento não previsto por Malthus- o aumento da produção de alimentos ocorreu, invalidando tal teoria. No entanto, problemas alimentares, ainda que não pelo motivo listado pelo filósofo, existem na atualidade, entre eles a subnutrição que está ligada a uma má distribuição dos alimentos causada por lacunas governamentais e economicas.

É revelente analisar, primeiramente, como um fator que colabora à subnutrição, a existência de lacunas governamentais relacionadas a má distribuição alimentar. Sob esse viés, é possível salientar a falta de projetos alimentares que busquem minimizar desperdícios e que garantam a distribuição de alimentos a todas as parcelas sociais como alguns fatores dessa brecha. Dessa forma, tendo em vista que a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1948, tem a alimentação como um elemento que deve ser garantido a todos, é notório que essas lacunas estatais vão de encontro a isso. Assim, é inadmissível que tal fator continue ocorrendo, visto que o Estado é o principal agente responssável pelo bem-estar social.

Ademais, cabe destacar também a presença de lacunas econômicas que impossibilitam a distribuição alimentar igualitária e que auxiliam na manutenção da subnutrição. Sob essa ótica, uma vez que o modelo capitalista vigente prega o lucro e o acumulo de capital, não é surpresa que esse quesito esteja ligado à questão. Nessa perspectiva, é possível analisar as disparidades na distribuição de renda- que fazem com que apenas 1% da população mundial concentre toda a riqueza do planeta, segundo estatísticas do banco Credit Suisse- e o redirecionamento de impostos- ocorrido pelo aumento dos gastos com tecnologias de produção- à população. Dessa maneira, mudanças fazem-se necessárias, pois o dinheiro não deve ser mais importante que a garantia da qualidade de vida humana.

Depreende-se, portanto, devido as falhas governamentais e econômicas, a urgência de ações interventivas para amenizar a questão. Para isso, cabe aos governos federais de cada país, por meio do redirecionamento de verbas públicas e de acordos com empresas alimentícias, promoverem a criação de um fundo destinado à garantia da alimentação para a população- de acordo com a realidade de cada grupo social- e renegociarem os preços dos alimentos que serão passados aos consumidores. Nesse sentido, o intuito de tal ação é garantir o acesso de todos à alimentação e, consequentemente, sanar os problemas de subnutrição causados pela má distribuição dos alimentos.