Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 19/10/2021
No filme da Netflix “O poço”, a temática da disparidade social e a desigual distribuição de recursos são abordadas em uma forma de prisão atípica e hierarquizada, abordando, também, os impactos destes acontecimentos na vida dos prisioneiros. Fora da ficção, é notório que a obra possui, infelizmente, verossimilhança alta no que tange a um tema de elevada relevância na sociedade brasileira atual: a subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos. Diante desse cenário, é imperativo dizer que a inércia governamental e a falta de projetos sociais na luta contra o tema são pilares que dão manutenção para a problemática citada.
Em paralelo a isso, cabe dizer que só haverá uma possibilidade de amenização da subnutrição e desigual distribuição de alimentos caso haja projetos sociais vigentes. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a produção de alimentos no globo já superou a quantidade necessária para alimentar todas as pessoas do planeta, todavia, cerca de 2,7 bilhões de pessoas continuam sem ter o mínimo necessário para viver. Ainda segundo a organização, a subnutrição, a qual influencia a morte de quase 30% das crianças do mundo, tem origem da desigualdade socioeconômica e de acessos plenos aos direitos mais fundamentais. Portanto, fica claro que alguma atitude governamental deve ser feita visando uma melhora nas dinâmicas de distribuição de alimentos e acesso a condições básicas de vida, pois, como visto, esta situação letal afeta quase 4 a cada 10 pessoas do mundo inteiro.
Nesse contexto, vale ressaltar que o governo federal, como maior órgão do país, tem a função de propor uma mudança, conquanto, ele não a faz. Segundo a filósofa Hannah Arendt, o âmbito governamental guia o futuro da sua população por intermédio de ações e projetos sociais. Desse modo, entende-se que tal teoria se aplica à atual conjuntura brasileira, haja vista que o Estado relativiza a questão da subnutrição no país e gera, por consequência, o agravamento da questão. Nesse viés, cabe ressaltar que o Ministério da Cidadania, o qual lida com a temática, vem sofrendo reduções em sua verba - 20% a menos no último ano -, limitando as chances de uma possível superação da má distribuição de alimentos, o que, lamentavelmente, prejudica a nação e inviabiliza o progresso.
Destarte, em vista dos fatos supracitados, é notória a necessidade de intervenção. Logo, a fim de diminuir os índices de subnutrição e a má distribuição de alimentos no país, urge ao Ministério da Cidadania promover criação de mais programas sociais que visem democratizar o acesso aos alimentos no país, por meio de mais investimentos nesta área. Isso pode ocorrer, por exemplo, com mais recursos monetários disponibilizados pelo governo federal. Por fim, espera-se uma melhora na distribuição democratizada e menos hierarquizada dos alimentos, como mostra o filme “O poço”.