Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 11/12/2021

Consoante dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) de 2016, a produção mundial de alimentos era suficiente para suprir a demanda das 7,3 bilhões de pessoas que habitavam a terra naquele ano. Contudo, inobstante essa capacidade de satisfazer uma necessidade básica do ser humano, no Brasil, mais de quarenta milhões de pessoas vivem em situação de insegurança alimentar de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o que retrata uma conjuntura incoerente. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés - dentre as quais se destaca o egocentrismo exacerbado - bem como as consequências, tais quais a má distribuição de alimentos e a maior mortalidade.

Mormente, é imperioso notar que, no capitalismo, a busca pelos desejos particulares torna-se um potencializador da subnutrição. Nessa perspectiva, segundo Byung-Chun Han, filósofo sul-coreano, em seu ensaio “Sociedade do Cansaço”, na contemporaneidade, a individualidade é extremada em detrimento do altuísmo e da coletividade. Sob essa ótica, o indivíduo imerso em si mesmo, não consegue enxergar a pluralidade que o cerca. Posto isso, essa situação é refletida no Brasil, haja vista que, no país, o 1% mais rico da população concentra mais de 28% da renda nacional - em consonância com a ONU - e, aproximadamente, 20% vive em extrema pobreza, conforme o centro de pesquisas da Universidade de São Paulo, fazendo com que, dessarte, diversos indivíduos não tenham poder econômico suficiente para alimentar-se de modo apropriado.

Por conseguinte, a má distribuição alimentar faz-se presente na sociedade hodierna, gerando a subnutrição. Nesse sentido, consoante o Fundo das Nações Unidas para a Infância, nove milhões de brasileiros, em 2020, deixaram de realizar alguma refeição por falta de dinheiro, revelando, dessa forma, um claro contraste entre a proficiência de suprir as necessidades, em virtude da disponiblidade de alimentos, e, simultaneamente, a incapacidade de nutrir-se pela falta de capital. Em consequência disso, a mortalidade tende a aumentar consideralvelmente, uma vez que, conforme o Jornal Estadão, dessezete brasílicos falecem diariamente em virtude da desnutrição. Logo é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Destarte, a fim de mitigar a fome e subnutrição no país, é imprescindível que o Ministério da Cidadania - por intermédio da criação de restaurantes populares isentos de taxas em todas as principais cidades, que atendam por um preço diminuto as pessoas de baixa renda - forneça uma alimentação com valores nutricionais equilibrados. Quiçá, tornar-se-á mais igualitária a partilha da produção  de gêneros alimentícios.