Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 20/10/2022

No século XX o advento da Revolução Verde provocou intenso desenvolvimento na agricultura levando a um aumento significativo da produção alimentícia em escala global. No entanto, no cenário hodierno brasileiro, tais impactos contribuiram para o agravo da subnutrição e da má distribuição de alimentos. Nesse sentido, torna-se relevante discutir as lastimáveis causas da problemática pelas perspectivas social e estatal.

A princípio, é necessário destacar a desigualdade social gerada pela concentração de renda como fator potencializador do empecilho apresentado. Nessa perspectiva, a maior disponibilização de gêneros alimentícios no mercado é ineficaz para mitigar os efeitos da subnutrição, uma vez que parte da população não dispõe de recursos suficientes para adquiri-los. Esse cenário confirma a ideia do jornalista brasileiro Gilberto Dimenstain, ao afirmar, em sua obra Cidadão de Papel, que a legislação é ineficaz, visto que a alimentação é um direito garantido por lei, mas que lamentavelmente não é aplicado de maneira plena.

Outrossim, a ineficiência de políticas públicas que beneficiem a população que sofre com a fome contribui para a perpetuação do problema. Segundo o filósofo suíço Jean Jacques Rousseau, o Estado é responsável por oferecer condições básicas para o bem-estar dos cidadãos. Entretanto, a negligência governamental no que tange à distribuição alimentar impede que os indivíduos econômicamente vulneráveis coexistam de maneira plena e saudável, afetando o equilíbrio social. Desse modo, faz-se mister a reformulção da postura estatal de forma urgente.

Logo, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática. Para isso, o Ministério da Cidadania e o Poder Executivo devem promover programas que combatam a subnutrição e garanta a distribuição de alimentos de forma equitativa. Isso ocorrerá por meio de auxílios financeiros oferecidos à famílias de baixa renda destinados à aquisição da cesta básica mensal de acordo com a necessidade nutricional de cada indivíduo, a fim de promover bem-estar e saúde para a população. Assim, consolidár-se-á um Estado que cumpre efetivamente sua legislação.