Superbactérias: reflexo da automedicação?

Enviada em 28/08/2019

Perigo Invisível

No ano de 19278, o médico escocês, Alexander Fleming, infectologista e bacteriologista, cria o primeiro antibiótico: a penicilina. Desde então, esse e outros medicamentos continuam a ser amplamente utilizados no combate de diversas doenças. No entanto, o uso indiscriminado de remédios pela população, por meio da automedicação, tem favorecido o surgimento das superbactérias, sendo necessária a ação conjunta da sociedade civil organizada e das entidades governamentais responsáveis, para combater esse problema.

Em primeiro plano, a criação de diversos medicamentos representa um expressivo progresso na medicina moderna. No entanto, o uso por conta própria de muitos desses remédios é um problema que precisa ser eliminado, pois, a automedicação propicia o aparecimento de superbactérias. Nesse cenário, a venda de algumas substâncias, como os antibióticos, foram proibidas desde 2010 pela ANVISA, caso não haja receita médica. Apesar disso, algumas farmácias persistem nessa venda sem prescrição, o que dificulta ainda mais o controle do uso indiscriminado desses remédios por parte do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade, criando o cenário ideal para o surgimento das superbactérias.

Em segunda análise, a própria população contribui para o aparecimento de bactérias resistentes quando não respeita a dosagem e o período prescrito da medicação. Nessa perspectiva, de acordo com a OMS, o uso irresponsável de remédios é a maior causa de intoxicação no Brasil, o que comprova que a sociedade ainda têm muito o que aprender sobre como utilizar substâncias medicamentosas de maneira consciente, especialmente compreender a íntima relação entre automedicação irresponsável e o aparecimento de culturas de bactérias super resistentes.

Pode-se dizer, portanto, que a venda e a automedicação de medicamentos sem prescrição médica são fatores que favorecem o aparecimento das superbactérias. Desse modo, é necessário que a ANVISA, juntamente com o Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade, crie um portal virtual de denúncias anônimas contra farmácias que persistem na venda irregular de remédios, com a finalidade de reduzir a possibilidade de a população comprar medicamentos sem receita, e de se automedicar de maneira irresponsável. Além disso, o Ministério da Saúde deve promover campanhas de conscientização na mídia televisiva e em outdoors, a fim de alertar a sociedade acerca dos perigos da automedicação no surgimento de bactérias resistentes. Dessa forma, o perigo invisível, que são as superbactérias, será combatido.