Superbactérias: reflexo da automedicação?
Enviada em 07/04/2020
Em 1930, Manuel Bandeira publicou o poema Pneumotórax, no qual retratava com pessimismo e bom humor os problemas gerados pela tuberculose, doença causada por uma bactéria super resistente. Diferente do período do escritor, atualmente existem tratamentos com antibióticos eficazes para tuberculosos, mas quando usados com irresponsabilidade podem contribuir para o surgimento de superbactérias. Além da automedicação, o uso desnecessário de antibióticos na agropecuária também acentua o problema.
Primeiramente, é importante salientar que o abuso da automedicação é o principal fator contribuinte para o aparecimento de superbactérias: microrganismos letais que precisam ser encarados como um grande problema de saúde pública. Dados de 2015, da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), revelaram que bactérias super resistentes são responsáveis por ao menos 23 mil mortes por ano no Brasil. Mas infelizmente, talvez por falta de informações contundentes, grande parcela da população utiliza drogas sem se preocupar com os riscos farmacológicos. Segundo informações da FIOCRUZ, 72% dos brasileiros se automedicam por conta própria, e 40% fazem autodiagnósticos pela internet. Ou seja, os cidadãos não têm consciência do alto risco que cada um pode gerar simplesmente por usar medicamentos de maneira inconsequente.
Além disso, outro motivo que colabora para a formação de bactérias resistentes, é a utilização irrelevante de antibióticos na agropecuária. Esses medicamentos são usados para aumentar o valor nutritivo dos vegetais e da produção de carne, apenas para dar mais lucro ao produtor. Seu uso descontrolado permite que bactérias - em constante contato com os antibióticos - sofram mutações e, com isso, adquiram resistência ao medicamento, tornando-se um risco para a saúde humana ao ingerir esses alimentos. De acordo com o jornal O Globo, em 2016, o Brasil era o 3º país do mundo que mais utilizava antibióticos na agropecuária, isto é, além do já preocupante agrotóxico, ainda é possível se contaminar com bactérias altamente prejudiciais ao organismo.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. É imprescindível que o Ministério da Saúde produza cartilhas educacionais para serem distribuídas junto às comunidades, além de promover uma campanha de conscientização em massa através da grande mídia, alertando com muita seriedade a gravidade da automedicação na saúde humana. Além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, deve fiscalizar com rigor e denunciar ao Ministério Público, ruralistas que fazem uso indiscriminado de antibióticos em suas produções. Só assim, com um povo preocupado e uma fiscalização atuante, o surgimento de superbactérias poderá ser atenuado.