Superbactérias: reflexo da automedicação?
Enviada em 01/05/2020
No poema “Pneumotórax” de Manuel Bandeira, é mostrado de forma trágico-cômica a morte que se aproxima de um sujeito com tuberculose.Análogo à literatura,o aparecimento das superbactérias no hodierno brasileiro, bem como global volta a ameaçar à saúde pública.Assim,é nítido que o abuso da automedicação e o uso desmedido de antibióticos na produção de proteína animal são fatores impulsivos para a instalação da problemática.Desse modo,se faz necessário analisar tais situações que corroboram o preocupante panorama instaurado na sociedade brasileira.
Em primeiro lugar,é de suma importância o entendimento crítico da automedicação.De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto de Ciência e Tecnologia (ICTQ),mais de 70% dos brasileiros tomam remédio por conta própria.Entretanto, este procedimento é totalmente inadequado,uma vez que a utilização de antibióticos-sem critério,período- acelera os mecanismos de defesa das bactérias,perdendo a eficiência do medicamento,isto é,favorecendo o surgimento das superbactérias: bactérias que adquiriram resistência aos antibióticos.Dessa maneira,a prática de se automedicar causa impactos em dimensões sociais, econômicas e ambientais, pois a resistência eleva custos de tratamentos,prolonga a permanência de pacientes em hospitais e contribui para o aumento dos índices de mortalidade.Portanto,é urgente que haja investimentos em campanhas midiáticas que sobreponham às tímidas campanhas já existentes.
Em segundo lugar,convém visionar a constante problemática na nação brasileira: o uso de antibióticos na pecuária.Segundo o jornal O Globo,o Brasil é o terceiro país do mundo que mais usa esses medicamentos na pecuária.Diante disso,a aplicação desenfreada dessas substâncias permite o desenvolvimento dos germes e,desse modo,as infecções resistentes a medicamentos em animais estão se espalhando para às pessoas.Para o economista britânico,Jim O’neill,as superbactérias matarão uma pessoa a cada três segundos em 2050,justamente pela inércia por parte do governo diante da situação problema,somado com a insistente prática da automedicação.Frente a isso,O’neill sugere que haja uma revolução na forma como as drogas são usadas e uma grande campanha para educar o corpo social.
Logo, é imperioso que medidas sejam tomadas a fim de mitigar a problemática.Para tanto,o governo, aliado com a mídia deve promover campanhas críveis nas instituições educacionais por intermédio do programa Saúde na Escola,visando alertar dos perigos intrínsecos à automedicação na sociedade brasileira.Além disso,deve haver propagandas midiáticas com o intuito de minimizar e fiscalizar o uso de medicamentos em animais.Destarte, a população seguirá o preceito de Jim e ficará livre de contrair infecções com diagnósticos fatais,como foi o caso do protagonista do poema de Manuel Bandeira.