Superbactérias: reflexo da automedicação?
Enviada em 06/06/2020
O documentário “Take your pills” aborda o consumo irresponsável de medicamentos e como esse pequeno ato pode gerar consequências irreparáveis no organismo humano. Fora do campo cinematográfico, a automedicação é uma problemática global, principalmente quando antibióticos são usados de forma indiscriminada, podendo gerar as “Superbactérias” que afetam, sobretudo, as comunidades mais pobres e sem saneamento básico.
Em primeira análise, é notória a falta de saneamento básico em locais mais pobres, onde cidadãos são expostos a água, alimentos e, até mesmo, fezes contaminados por bactérias que causam doenças. Tal cenário ocorre graças a negligência vinda de diversos Governos, como o da Índia, em que comunidades carentes não têm direito a tratamentos de esgoto e se veem obrigadas a utilizar água suja para atividades domésticas como o cozimento de alimentos e a limpeza das casas. Essa situação é explicada por Zygmunt Bauman como uma falta de empatia vinda daqueles que são mais privilegiados, substancialmente aqueles que “trabalham pelo povo” em alguma posição de poder político, porém não tomam atitudes para mudar esta situação que impacta a vida de milhares de indivíduos.
Ademais, essa realidade afeta a saúde de diversas pessoas que, para tratar enfermidades, fazem uso de antibióticos de forma errada, em essencial por conta da falta de acompanhamento médico, já que diversos países possuem o Sistema de Saúde privado, impossibilitando aqueles que não são abastados de ter direito a consultas com profissionais. Além disso, a venda desses medicamentos sem a necessidade de prescrição médica facilita sua compra, contribuindo para o surgimento de superbactérias, seres resistentes aos antibióticos. Logo, os mesmos se tornam a causa do falecimento de muitos, com destaque para os povos que vivem na Ásia e na África, regiões em que cerca de 8 milhões de pessoas morrem por ano graças às superbactérias, já que o tratamento dessas patologias se torna impossível.
Portanto, medidas devem ser tomadas para a melhora da situação atual. O Ministério da Educação, com o auxílio da Anvisa, deve incentivar o ensino de como higienizar as mãos, alimentos e a água antes do consumo, fornecendo aos professores material didático e lúdico que será entregue aos alunos. Outrossim, é essencial que Prefeituras e o Ministério das Cidades planejem e instalem sistemas de esgoto e tratamento de água em todos os bairros, diminuindo o número de contaminações. A Anvisa também deve fiscalizar farmácias, proibindo a venda sem prescrição médica de antibióticos, impedindo assim o surgimento de novas Superbactérias.