Superbactérias: reflexo da automedicação?
Enviada em 04/07/2020
Superbactérias: uma questão de saúde pública
Nos últimos anos, estudos apontam o aumento de mortes causado por superbactérias. As superbactérias são bactérias mais resistentes. O termo é utilizado pelo infectologista da Universidade Federal de São Paulo, Carlos Kiffer. Segundo ele, em uma entrevista ao Jornal Extra, em 2015, o pesquisador chama a atenção para o uso indiscriminado de antibióticos. Então, o que fazer com uso indevido? A conscientização da população será o suficiente para conter a proliferação dessas superbactérias?
O uso de antibióticos sem receita médica é proibido por lei desde 1999. Contudo, existe resistências por partes de pessoas e estabelecimentos farmacêuticos sobre a compra e venda de remédios sem a recomendação de um especialista. Caso haja alguma desregulamentação de comercialização desses medicamentos, a denúncia pode ser realizada através da Anvisa. Se há uma fiscalização, um controle sobre a venda de antibióticos, o que explica o crescimento das superbactérias?
O que explica esse crescimento das bactérias é a resistência aos medicamentos. As bactérias são organismos que podem adquirir uma barreira a algum composto do medicamento, modificando assim, à sua genética, passando para gerações futuras o bloqueio. Devido a essa possibilidade de mutação no fator genético, em poucos anos, houve um aumento significativo das superbactérias. Todavia, o aumento, e também a origem de novas bactérias, não provocou interesses em indústrias farmacêuticas para conter ou extinguir a proliferação desses organismos.
É necessário investimento e incentivos em pesquisas em universidades e em laboratórios. Não basta depender das indústrias farmacêuticas investirem na busca por novos medicamentos. Uma pesquisa para descobrir novas classes de antibióticos, segundo a matéria do Extra, precisaria investir muito dinheiro, em torno de bilhões. Mas se isso não ocorrer, se não houver medicamentos que possam conter a resistência das superbactérias, muitas vidas serão perdidas. E com certeza o prejuízo será muito maior.
A conscientização da população não é o suficiente para conter as superbactérias. É preciso incentivar as pesquisas nas universidades, na ciência, visando a qualidade de vida de todos. Valorizar essas pesquisas, concentrando a atenção tanto no tratamento quanto na prevenção de novas doenças. Salvar vidas é uma questão de saúde pública.