Superbactérias: reflexo da automedicação?

Enviada em 06/07/2020

Com a descoberta da penicilina G, o primeiro antibiótico, pelo médico Alexandre Fleming em 1928, a medicina deu um grande passo no combate de doenças bacterianas. Porém, a crescente prática de automedicação e uso indiscriminado dessa classe de medicamentos vem ocasionando problemas para trata-las, uma vez que isso aumenta a resistência de bactérias em um ritmo maior do que o das descobertas de novos tratamentos.

O uso de antibióticos sem prescrição médica é apontado por pesquisas da OMS como um dos principais fatores para o surgimento cada vez mais frequente de bactérias resistentes aos medicamentos atuais. Quando esses medicamentos são consumidos por base no senso comum, geralmente sem necessidade, as bactérias que são benéficas e suscetíveis a tratamento são eliminadas, dando espaço para as que sofreram mutações de resistência se reproduzam sem competição, necessitando assim de outro tratamento para combate-las, pois não são afetadas pela maioria dos antibióticos disponíveis.

Além disso, o uso indiscriminado de tratamentos antibacterianos, como o ato de não cumprir o período recomendado parando-o assim que os sintomas são aliviados, as super dosagens na tentativa de antecipação e o não cumprimento dos horários para ingestão acaba ocasionando na ineficácia do tratamento e a seleção natural dos indivíduos mais resistentes, cada vez mais difíceis de controlar.

Logo, percebe-se que a causa para o surgimento de bactérias cada vez mais desenvolvidas se deve, principalmente, à negligência no uso dos antibióticos. Cabe aos governos e secretarias de saúde promoverem conhecimento sobre os riscos do mau uso dos medicamentos e os perigos da automedicação, por meio de cartilhas distribuídas em postos de saúde e propagandas em meios de comunicação, com a finalidade de promover a conscientização da população sobre os riscos destas práticas para todos, já que bactérias são de fácil e grande disseminação.