Superbactérias: reflexo da automedicação?
Enviada em 06/07/2020
Quando foram criados, na primeira metade do século passado, os antibióticos foram uma revolução na Medicina, pois possibilitaram tratamentos eficientes para um amplo leque de doenças que na época eram extremamente agressivas. Entretanto, cada vez mais cresce o número de bactérias resistentes a quaisquer desses remédios. Essas assim chamadas superbactérias são resultado do uso indiscriminado de antibióticos, fruto principalmente da automedicação, e serão um dos principais problemas de saúde dos próximos anos.
Os antibióticos tiveram sua eficiência comprovada durante décadas. Por conta deles, por exemplo, a meningite e diferentes tipos de pneumonias e infecções em geral tiveram seu poder destruidor reduzido. Mas, na medida em que tal linha de medicamentos se desenvolveu, cresceu também a resistência a eles por muitos microrganismos. Hoje, infecções causadas pelas chamadas superbactérias são um grave problema de saúde que levam à morte milhares de brasileiros todos os anos, e as perspectivas são preocupantes, visto que dados indicam que por volta de 2050 elas provavelmente serão umas das principais causas de óbitos no mundo.
No entanto, isso vai de encontro a um relatório de 2018 da Organização Mundial de Saúde que aponta o Brasil como um dos países em que a média diária de ingestão de antibióticos supera a média global, e isso tem duas principais causas. A primeira é a automedicação, que é perigosa porque, entre outros motivos, o uso equivocado de químicos, ou por tempo insuficiente, possibilita que as bactérias que sobreviveram se reproduzam, passando adiante os genes responsáveis pela resistência aos fármacos. A segunda causa é o próprio uso exagerado dessa classe de medicamentos por muitos médicos, que sentem mais segurança no seu uso do que em medidas que exigiriam acompanhamento e, consequentemente, maior tempo de contato com os pacientes.
Portanto, para diminuir o problema, uma das soluções possíveis seria propiciar uma relação mais próxima entre profissionais de saúde e população. Isso deveria ser incentivado pelo Ministério da Saúde, por meio do fortalecimento de modelos como Médico de Família ou Estratégia de Saúde da Família, que promovem relações mais sólidas entre pacientes e sistemas de saúde. Com base nisso, seria possível tanto aprofundar o trabalho educativo quanto o acompanhamento que, em conjunto, diminuiriam a automedicação de uma forma geral. Além disso, o maior conhecimento, por parte dos médicos, sobre determinados pacientes ou sobre características de diferentes bairros poderia diminuir a prescrição excessiva de medicamentos, já que aumentaria a confiança na adesão de cada indivíduo aos tratamentos, e na ausência dela, ajudaria na formulação de tratamentos mais específicos.