Superbactérias: reflexo da automedicação?

Enviada em 08/08/2020

Em 1930, Manuel Bandeira escreveu um poema chamado “pneumotórax”, que trata de forma trágico-cômica a situação do protagonista que tinha tuberculose, e se aproximava da morte. Atualmente, o aparecimento das superbactérias é uma ameaça à saúde pública no Brasil e no mundo. Por conseguinte, entre as possíveis causas para essa problemática estão a automedicacão e o uso descontrolado de antibióticos na pecuária e na agricultura.

O uso de medicamentos sem acompanhamento médico facilita a proliferação de bactérias resistentes, uma vez que há uma falta de informação sobre qual bactéria está sendo combatida, doses erradas ou até descumprimento do prazo de tratamento. Segundo o instituto de ciência e tecnologia, estima-se que no Brasil, cerca de 72% das pessoas tomam remédio por conta própria. A causa para tantos brasileiros não buscarem uma consulta nos hospitais é a falta de confiança nos profissionais da saúde - esses que muitas vezes prescrevem antibióticos de maneira indiscriminada, sem fazer testes sobre qual bactéria está se manifestando no paciente (o que também favorece o aparecimento das superbactérias) - além da atual democratização da internet e da parceria do Google com o hospital Albert Einstein,que disponibilizam na rede cards com informações sobre as doenças e seus respectivos medicamentos curativos.

A criação da penicilina foi uma grande conquista da sociedade no século XX em meio à segunda guerra mundial. Contudo, o uso descontrolado dos antibióticos nos últimos anos pode fazer com que essa conquista venha a se tornar um retrocesso. Esse uso intenso pode ser observado hoje na agropecuária. Segundo o jornal O Globo, o Brasil é o terceiro país do mundo que mais usa medicamentos na pecuária, atrás apenas da China e EUA. A consequência para isso está que, a carne, muito consumida pelos brasileiros, pode ser uma fonte de superbactérias, contaminando-os e proliferando as mesmas. Todavia, se políticas públicas não forem implementadas, em 2050 esses microorganismos estarão matando cerca de 10 milhões por ano no mundo - segundo uma pesquisa do governo britânico.

Sendo assim, para impedir que a medicina seja levada de volta à “idade das trevas”, o Ministério da Saúde deve promover, por meio de grandes campanhas, a conscientização sobre os prejuízos da automedicação. Ademais, cabe ao Governo, por meio de leis , reduzir o uso de antibióticos na indústria agropecuária e investir em alternativas para essa cultura, com o objetivo de tornar a população menos suscetível a contrair doenças infecciosas, buscando impedir casos como o do protagonista do “pneumotórax”.