Superbactérias: reflexo da automedicação?
Enviada em 06/05/2021
Em 1941, a penicilina foi testada pela primeira vez em seres humanos, demonstrando sua eficácia no tratamento de doenças causadas por bactérias. Esse foi um marco na medicina humana, porém nos dias atuais deparamo-nos com um grande problema: as superbactérias. Infere-se que esses microrganismos adaptados são reflexo da falta de inovação na produção de antibióticos somada ao uso indiscriminado desses medicamentos.
Nessa perspectiva, analisamos que a grande maioria dos antibióticos recentemente aprovados são derivados de medicamentos desenvolvidos na década de 80 e que já possuem resistência estabelecida. Sendo assim, essa classe representa cerca de 82% dos antibióticos lançados nos últimos anos, e com isso, já é esperado a adaptação das bactérias perante aos novos remédios. Em conseguinte, as novas drogas tornam-se ineficazes no tratamento das doenças e as alternativas para combater as superbactérias são gravemente reduzidas.
Em adição, ainda é observado o uso em larga escala e sem precedentes dos antibióticos, como um fator de indução a mutações bacterianas. Isso é justificado através dos mecanismos de adaptação que algumas bactérias possuem, como por exemplo os endósporos e pilis sexual, que permitem sua sobrevivência em períodos de estresse ambiental e o compartilhamento de informações genéticas. Portanto, quando um medicamento é empregado sem necessidade, as bactérias não só se adaptam, mas também transmitem esse fator adaptativo.
Dessa forma, é necessário que medidas sejam formuladas para que o surgimento de novas bactérias resistentes seja impedido. Sendo assim, o Ministério da Saúde em parceria com o governo federal, deve desenvolver pesquisas sobre novas drogas efetivas no combate a esses microrganismos, afim de diversificar os medicamentos e reduzir a população de superbactérias. Isso será feito por meio de maior investimento em centros de pesquisas biológicas, como o Butantan. Além disso, é preciso que a população seja conscientizada sobre os perigos do uso indiscriminado de antibióticos, por intermédio de palestras e campanhas realizadas pelas prefeituras municipais, visando reduzir o uso sem precedentes desses fármacos. Assim, irá existir meios de combater a superbactérias existentes e em contrapartida, o surgimento de novas variantes será minimizado.