Superbactérias: reflexo da automedicação?

Enviada em 19/10/2021

“Tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra”. A citação de Carlos Drummond de Andrade exemplifica o fenômeno da automedicação. Análogo aos dias atuais, o uso inconsequente de medicações se torna uma pedra no meio do caminho da saúde pública mundial. Dessa forma, são inegáveis os seus reflexos, como as superbactérias - resistentes a antibióticos comuns destinados aos tratamentos atuais.

A princípio, uma das causas do fenômeno supracitado é o autodiagnóstico por meio da internet, que indica diagnósticos e tratamentos pouco precisos. Segundo o sociólogo Bauman, se as redes sociais (incluindo as de pesquisas) não forem bem trabalhadas, serão as novas bombas. Por conseguinte, a grande quantidade de tratamentos expostos nas redes de forma não controlada, podem ocasionar em tratamentos incorretos pela população, gerando resistência dos agentes patológicos aos procedimentos corretos. A consequência desse fato é a dificuldade em enfrentar doenças, já que, os fármacos existentes para doenças antes consideradas simples passam a ser ineficazes. A indústria farmacêutica passa a não acompanhar o ritmo das inúmeras modificações das patologias, que ficam cada vez mais fortes em relação aos medicamentos antes usados, de modo que ocorra a falta, e consequentemente, o encarecimento das drogas que as combatem.

Outrossim, o uso inadequado dos medicamentos, principalmente em doses incorreta, agravam o problema. O indivíduo, por não estar mais sentindo os sintomas, interrompe o tratamento indicado pela medicina por acreditar que já está curado. Esse pensamento errôneo pode gerar a volta o adoecimento, porém, podendo ser ainda mais prejudicial graças a resistência do mesmo. Segundo o sociólogo já citado, no mundo globalizado, os seres humanos são responsáveis uns pelos outros, tudo o que fazem ou deixam de fazer tem impacto em todos. Logo, o aumento das superbactérias, vindas da automedicação individual gera o aumento do risco de infecções hospitalares, pois há uma maior demanda de tempo para a cura das patologias resistentes. Isso coloca em risco a todos que necessitam de atendimento médico, o que pode gerar uma crise de saúde pública.

Em suma, é de extrema importância que o Ministério da Saúde regulamente os sites que oferecem diagnósticos e tratamentos prontos, a fim de frear o autodiagnóstico. Além disso, é imperativo que o Governo Federal destine verbas para a criação de palestras de conscientização da importância do uso correto, a fim de incentivar a população ao uso consciente do fármaco. Destarte, poderá se ver o caminho da saúde sem a pedra da automedicação e seus reflexos.