Superbactérias: reflexo da automedicação?

Enviada em 02/06/2021

Segundo o Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade, mais de 70% dos brasileiros admitiram tomar medicamentos sem prescrição médica. Nesse sentido, é um fato dizer que o automedicamento vem aumentando cada vez mais no mundo e, consequentemente, as superbactérias; esse acréscimo está relacionado tanto com o consumo descontrolado de remédios, quanto com a escassez nos investimentos para a fabricação de fármacos.

Primeiramente, o uso descontrolado de medicamentos poder ajudar na proliferação das superbactérias. Isso porque, atualmente, muitas pessoas ingerem remédios de forma autônoma, sem uma prescrição ou consulta médica, para vários tipos de dores. Com isso, essa automedicação indiscriminada de antibióticos, principalmente, faz com que as bactérias resistam ao fármaco e tenham um meio mais propício a mutações positivas, tornando-as mais fortes. Só para ilustrar, segundo pesquisas do jornal “El País”, cerca de 700 mil pessoas morrem de infecções causadas por superbactérias devido ao uso desenfreado de remédios.

Além disso, a falta de verba para os antibióticos tende a aumentar o número de bactérias resistentes. Sob esse aspecto, por não gerar muito lucro, visto que é um medicamento regulamentado pelo médico, a indústria farmacêutica não incentiva e nem investe na produção do antibiótico. Devido a isso, muitas doenças não são controladas, já que não há um fármaco que resiste a essas bactérias, o que torna-se um círculo vicioso. Por exemplo, de acordo com a Gerência Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde, há 30 anos não são desenvolvidos novos princípios ativos de antibióticos.

Portanto, o manuseio indiscriminado e a ausência de investimentos nos antibióticos auxiliam no aumento das superbactérias. Dessa forma, é necessário que órgãos reguladores, como o Ministério da Saúde, criem um projeto acessível a palestras com médicos acerca dos malefícios do uso descontrolado de remédios, por meio da Internet e de locais públicos, possibilitando o acesso pela população civil, e que planejem o investimento em pesquisas e produção de antibióticos. A partir disso, as pessoas terão mais consciência e consultarão um médico antes de se medicar e também os cientistas poderão criar mais fármacos para evitar a proliferação de doenças bacterianas. Assim, ao longo dos anos, as superbactérias irão diminuir e não afetarão a população.