Superbactérias: reflexo da automedicação?

Enviada em 18/06/2021

Segundo Charles Darwin, considerado o pai da evolução, toda espécie se reproduz exponencialmente, mas, com recursos limitados, só os mais aptos sobrevivem e transmitem suas características às próximas gerações. À vista disso, diversos estudos evidenciam o surgimento de superbactérias pelo uso indiscriminado e errado de antibióticos por seres humanos, o que, consequentemente, seleciona os seres procariontes mais fortes. Nesse sentido, em razão de uma educação deficitária e de uma má influência midiática, emerge um problema complexo, o qual preisa ser revertido.

Diante desse cenário, vale destacar que a baixa qualidade da educação é um grave fator ao tema. Nesse viés, consoante Immanuel Kant — filósofo da pós modernidade —, o homem tem seu intelecto formado de acordo com o que lhe é ensinado. Sob essa lógica, se há um obstáculo social, há uma lacuna educacional. Sendo assim, no que tange à seleção natural de germes, verifica-se que a escola não cumpre o seu papel no sentido de prevenir e reverter os impasses coletivos, uma vez que poderia abordar minuciosamente esse conteúdo, por exemplo, em laboratórios para a discipina de Biologia. Assim, um possível caminho para combarter a ignorância acerca da fortificação desses seres unicelulares é usar a ideia de Kant: fazer o homem crescer intelectualmente a partir de um bom ensino.

Ademais, é importante salientar que a gama de mentiras presentes no meio midiático é outra forte razão a essa situação calamitosa. Sob esse ângulo, conforme o jornalista Carlos Heitor Cony, a internet é poluidora, não no sentido ecológico —  mas no espiritual. Dessa maneira, ao se analisar o período da pandemia da COVID-19, percebe-se que surgiram diversas fake news sobre o combate ao coronavírus, o que fez muitas pessoas se automedicarem com, por exemplo, o antibiótico azitromicina, que não tem evidência científica sobre a eficácia e pode, facilmente, selecionar as bactérias mais fortes. Logo, enqunto a desinformação se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com um dos mais graves problemas da atualidade: o desenvolvimento de micróbios e o possível surgimento de novas doenças.

Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação, enquanto regulador das práticas educacionais do país, ofereça mais conteúdo aos alunos, por meio de projetos de iniciação científica, ministrados por profissionais qualificados, com o fim de estimular os estudantes a desenvolver um maior conhecimento na área biológica. Por sua vez, a Organização Mundial da Saúde precisa desenvolver oficinas sobre os riscos da automedicação, por intermédio das redes sociais, como o Instagram, assim como desmentir as falsas informações que circulam no meio cibernético, com o objetivo de garantir a verdade à população. Dessa forma, espera-se, a partir da queda de automedicação, frear o avanço das superbactérias.