Superbactérias: reflexo da automedicação?
Enviada em 25/06/2021
Em 1928 Alexander Fleming, um farmacologista escocês, descobriu a penicilina, o primeiro antibiótico do mundo, que ajudou a poupar muitas vidas.No entanto, o uso indiscriminado desse medicamento, seja pela falta de fiscalização na compra, seja pela precariedade do sistema de saúde, deu origem às chamadas ´´superbactérias´´, seres que adquiriram resistência aos antibióticos, tornando todos remédios disponíveis no mercado ineficientes.Assim, urge promover o debate acerca desta problemática.
Em primeiro plano, infere-se que a falta de rigor nas fiscalizações nas farmácias contribuem para a proliferação das superbactérias.Dados da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma) indicam que a arriscada prática cultural da automedicação é responsável pela morte de 20 mil pessoas por ano no país.Desse modo, o hábito dos farmacêuticos de não exigir a receita médica facilita essa prática que contribui para a multiplicação de bactérias resistentes aos medicamentos.Logo, é necessário que os órgãos responsáveis fiscalizem e punam os proprietários de farmácias que vendem os medicamentos de forma indiscriminada.
Ademais, pode-se afirmar que a precariedade do sistema de saúde é um fator agravante da problemática, uma vez que profissionais despreparados receitam erroneamente medicamentos.A exemplo desse fato a Organização Mundial da Saúde apresenta dados de que 10% das internações são ocasionadas por medicamentos prescritos de maneira errada. Além disso, a falta de infraestrutura, como a carência de leitos e profissionais, resulta em uma busca cada vez maior por fármacos sem prescrição médica, visto que os pacientes esperam por um longo tempo pelo atendimento.
Torna-se importante, portanto, buscar meios para deter a automedicação e consequentemente a proliferação das superbactérias.Para tanto, é necessário que o Ministério da Saúde fiscalize com firmeza as farmácias, por meio de multas e sistemas de vigilância, que podem ser câmeras ou fiscais, a fim de impedir que a população compre facilmente medicamentos sem prescrição médica. Além disso, cabe ao Governo investir no sistema de saúde público.Somente assim será possível conter as superbactérias.