Superbactérias: reflexo da automedicação?

Enviada em 16/07/2021

A Organização Mundial da Saúde trouxe, para a atualidade, um conceito ampliado de saúde, o qual abrange a promoção de uma vida saudável com ingestão apropriada de medicamentos, principalmente os antibióticos pelos brasileiros. Contudo, apesar dessa atualização, ainda existe um forte estigma associado ao uso indiscriminado de antibióticos o qual se reverbera no contexto brasileiro. Sobre esse enfoque, destacam-se os aspectos culturais e sociais. Assim, medidas são necessárias para sanar tal impasse sanitário.

Em primeiro, deve-se pontuar que para algumas pessoas, a cultura do uso de medicamentos sem receita médica é um costume e que já é feito comumente e isso tem trazido danos à saúde delas. Nesse aspecto, evidencia-se que, na sociedade brasileira, existe um notório desconhecimento que esse costume causa danos à saúde pois o uso indiscriminado de antibióticos tem criado superbactérias resistentes devido a automedicação. Nesse viés, pode-se analisar o olhar sob a perspectiva da filósofa Simone de Beauvoir. De acordo com ela, mais escandalosa que a existência de uma problemática é o fato de a sociedade se habituar a ela. Ao traçar um paralelo com a temática para orientar o uso de antibióticos pelos brasileiros como questão cultural. Assim, urge que a população necessita de esclarecimentos para que essas superbactérias não se proliferem ainda mais.

Em segunda análise, é importante frisar que, a sociedade precisa ser melhor instruída sobre a necessidade de prescrição de antibióticos. Nesse sentido, o Ministério da Saúde deve estar presente orientando a população sobre o uso indiscriminado do remédio e sinalizando os malefícios trazidos para a saúde em caso de consumo inadequado. O Filósofo Bauman, define esses órgãos como Instituições Zumbis, elas existem, mas não cumprem o seu papel a contento da Sociedade. Dessa forma, cada vez mais o problema social se agrava à medida que providências eficazes não são tomadas.

Portanto, ainda persiste no Brasil, a cultura do uso indiscriminado de antibióticos. Logo, é necessário que o Ministério da Saúde – responsável por efetivar processos relacionados à saúde pública no país – deve atuar diretamente na educação da população, por meio de palestras, propagandas televisivas, educação escolar e doméstica, mostrando o quanto faz mal para a saúde o uso indiscriminado de antibióticos e que geram superbactérias. Além disso, é necessário que o Poder Legislativo – a quem cabe a função de criar normas – elabore uma lei com a exigência para que a venda desse remédio seja feita somente por prescrição médica. Com essas medidas, objetiva-se reduzir o uso indiscriminado de antibióticos, evitando assim, a automedicação pelos brasileiros. Desse modo, a atualização do conceito de saúde realizada pela OMS será consolidada no contexto da nação brasileira.