Superbactérias: reflexo da automedicação?
Enviada em 01/09/2021
Incentivada pela industria farmaceutica, a automedicação é prática recorrente no Brasil. Seja para curar uma simples dor de cabeça, um resfriado comum ou um problema pior, o uso indiscriminado de fármacos faz se presente na informalidade do “jeitinho brasileiro”. Não obstante, em se tratando da banalização do uso de antibióticos, a automedicação tem como consequência o aumento do número de superbactérias no país. Dessa forma, dado a gravidade da situação e potencial pandemico existentes na propagação de bactérias resistentes à antibióticos, é imperativa a realização de uma análise dos fatores que culminam em referida automedicação.
Em primeira análise, temos como principal gerador do problema no Brasil a precarização do acesso à saúde. De acordo com o artigo 6º da Constiuição Federal de 1988 é assegurado o direito à saúde como inerente à todo cidadão brasileiro. Todavia, tal situação não se reverbera na prática, uma vez que, em função da falta de investimentos e da sucatização do Sistema Único de Saúde (SUS) o acesso ao atendimento médico tem se estabelecido como uma dificultade para milhares de brasileiros, que encontram na automedicação a única solução para as doenças que lhes acometem.
Além disso, a negligência governamental no que tange a educação no país ainda piora o problema. Em uma clara quebra unilateral do Contrato Social proposto por John Lock, o Estado, ao negligenciar a educação, faz com que os cidadãos, sem qualquer tipo de instrução, não entendam os riscos a que expõe a si próprios e aos demais brasileiros ao fazer o uso indiscriminado de antibióticos, uma vez que estes atuam de modo a eliminar as bactérias susceptíveis dos organismos, restando apenas as bactérias resistentes, que se reproduzirão, aumentando sua população e propagando-se pelo meio.
Nesse contexto, tem-se como principal causa do problema as falhas presentes no Estado Democrático de Direito brasileiro, uma vez que, de acordo com Milton Santos, autor do texto “As Cidadanias Mutiladas”, a democracia só se torna efetiva a medida que atinge a totalidade do corpo social, garantindo a universalização de direitos, como a saúde e a educação, cuja ausência obriga os cidadãos a recorrerem à automedicação.
Diante do exposto, é imperativa a atuação do Estado para a reversão de tal situação. Assim, é urgente a atuação dos Ministérios da Saúde e do Ministério da Educação, de modo a assegurar o acesso a um sistema de saúde de qualidade por parte da população brasileira, além de garantir, seja através de palestras ou da educação nas escolas, o acesso à informação, evitando a automedicação e o uso indiscriminado de antibióticos, de modo a combater o aumento do número de superbactérias no país e o potencial pandemico presente em sua disseminação.