Superbactérias: reflexo da automedicação?

Enviada em 25/09/2021

Segundo Federico Tobar sociólogo contemporâneo e doutor em ciência política pela Universidade del Salvador “Os medicamentos são ao mesmo tempo as maiores das conquistas e o maior fracasso da modernidade.” Diante disso, o  surgimento e a disseminação de resistência bacteriana é um problema na atual sociedade, visto que o uso indiscriminado de antibióticos tem aumentado nas últimas décadas. Tal paradigma reflete o cenário desafiador no País, seja pela grande disponibilidade desses medicamentos, seja pela publicidade pouco judiciosa, acentua o uso abusivo.

Primeiramente, o uso indiscriminado de antibióticos pela população permitiu o surgimento de bactérias resistente aos antibióticos do mercado. Nesse contexto, segundo dados do Conselho Federal de Farmácia, o Brasil está entre os dez que mais consomem medicamentos no mundo, uma vez que o acesso a farmácias e drogarias e a facilidade na aquisição de medicamentos no popularmente conhecido “balcão da farmácia” promovem um aumento no consumo de medicação pela maioria da sociedade brasileira. Sendo assim, é importante destacar a relevância da atenção farmacêutica, que tem por objetivo promover o uso racional de medicamentos, orientando e conscientizando sobre essa prática, desta forma assumindo a responsabilidade de promotor de saúde favorecendo a população. .

Outrossim, a oportunidade de aumentar seus lucros através de propagandas de fármacos isentos de prescrição tem sido um dos objetivos da indústria farmacêutica, com isso contribuindo o auto consumo de medicamentos. Nesse  cenário, consoante a Organização Mundial da Saúde (OMS) , se não houver um controle rigoroso da utilização de remédio a população poderá ficar sem defesa contra as bactérias que causam infecções. Assim, o uso incorreto dos antibióticos fortalece as bactérias colocando não só o paciente mais toda a população em risco, tornando os fármacos disponíveis no mercado ineficientes.

Infere-se, portanto, que são inúmeros os desafios para minimizar a automedicação e o avanço das superbactérias no País. Destarte, cabe a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) atuar na regulação do mercado farmacêutico, através da fiscalização aos estabelecimentos autorizados a venda de fármacos, a fim de minimizar a distribuição sem a receita médica. Ademais, compete a mídia social em parceria aos órgãos de farmacovigilância atuem com campanhas de conscientização da população sobre a automedicação e seus riscos, por meio de uma maior fiscalização sobre os anúncios que estão disponíveis, como também a difusão de informação sobre medicamentos e a educação permanente dos profissionais de saúde, do paciente e da comunidade para assegurar o uso racional de fármacos, com objetivo de identificar e avaliar efeitos do uso de tratamentos farmacológicos.