Superbactérias: reflexo da automedicação?
Enviada em 28/09/2021
“Mafalda”, personagem criada pelo cartunista Quino, demonstra, ainda na infância, sua grande preocupação quanto aos cuidados com questões sociais. Entretanto, a importante lição altruísta de Mafalda está longe de se tornar real, uma vez que o uso excessivo de antibióticos produz bactérias resistentes, tornando-se um problema de saúde pública. Para desconstruir esse cenário nefasto, faz-se crucial mitigar não só a negligência do Estado, como também a falta de zelo do corpo social.
Sob esse viés, é fulcral analisar a postura governamental frente ao uso indiscriminado de bactérias. A esse respeito, dados apresentados pelo Ministério da Saúde, apontam que o Brasil tem o menor porcentual de investimento público em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), são apenas 4,7% em saúde, índice muito inferior aos gastos de outros países, onde os percentuais de investimento variam de 7,6% a 9,0%. Dessa forma, a falta de insumos e capacitações em hospitais quanto ao uso de antibióticos criam uma pressão seletiva sobre as bactérias do ambiente hospitalar e as deixam multirresistentes.
Ademais, a indiferença de substancial parcela da população acerca da automedicação mostra-se empecilho para o bem-estar desses indivíduos. A esse respeito, a filósofa Hannah Arendt, afirma em seu conceito de “banalidade do mal”, que a sociedade tende a imitar hábitos arcaicos de uma geração. Isso ocorre desde o período colonial, no qual os chamados farmacêuticos da época que prescreviam receitas sem embasamento científico para a população. Análogo a realidade, as pessoas continuam tomando antibióticos sem orientação dos médicos. Desse modo, é plausível crer que, caso não exista uma empatia coletiva, a perpetuação de um pensamento arcaico poderá levar a sérios problemas de saúde pública.
Urge, pois, que haja melhorias no combate ao uso exagerado de remédios. Nesse sentido, o Poder Público - importante órgão garantidor dos direitos do cidadão - por meio do Ministério da Saúde, deve aumentar os investimentos em capacitação de profissionais que trabalham em hospitais com o uso de medicamentos e criar workshops disseminados pelas mídias e liderados por pessoas que tiveram sequelas devido ao uso excessivo de antibióticos. Essa ação terá o fito de conscientizar a população sobre os riscos da automedicação. Assim, faz-se jus ao cuidado pelas questões sociais prezado pela personagem Mafalda.