Superbactérias: reflexo da automedicação?

Enviada em 28/09/2021

A descoberta da penicilina no ano de 1928 possibilitou o vislumbre de uma nova realidade, marcada pela erradicação de doenças, bem como pela minimização das taxas de mortalidade em todo o mundo. Indo de encontro a tal benéfice, a popularização dos antibióticos trouxe entraves como o uso indiscriminado e acesso hiperfaciliado aos antibacterianos, o que acarretou, ao longo os anos, o surgimento de superbactérias - gerando como consequência o aumento dos gastos com saúde pública no Brasil dado o retrocesso, no que tange a taxa de mortalidade e permanência hospitalar no país.

Frente a essa realidade, compreender como a simplicidade de obtenção indistinta de antibióticos favorece o surgimento de bactérias resistentes, faz-se necessário. De fato, a sociedade brasileira está inserida em uma lógica pós-moderna, que prega o ideal de bem-estar incessante e, como a realidade, muitas vezes, não corresponde as expectativas, os brasileiros buscam, de forma imediatista e simplista, uma maneira de sanar seus problemas de saúde, confirmando a liquidez - assegurada por Bauman -, presente na sociedade brasileira. Dessa forma, ao se buscar uma solução, econtra-se uma diversidade de antibióticos e medicamentos com venda sem receita, o que estimula a compra e a automedicação, e ao longo dos ciclos de repetições de uso indiscriminado, o surgimento das superbactérias.

Como consequência dessa facilidade, o surgimento de bactérias resistentes a antibióticos, ultrapassa a esfera individual e passa a atingir, de forma negativa, a dimensão social e econômica do país. Deveras, a BBC afirma em uma de suas pesquisas que no ano de 2050, se não forem tomadas medidas de precaução, aproximadamente 390 mil pessoas morrerão em toda a América Latina em consequência da resistência a antibióticos, o que significa decaimento do bem-estar da população brasileira, bem como mais tempo de internação e consequentemente, mais gastos com a saúde pública do Brasil.

Faz-se necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar a automedicação no país e o surgimento de novas bactérias resistentes. Dessa forma, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com a ANVISA, reformular as diretrizes sobre a venda indiscriminada de medicamentos, multando aos estabelecimentos que desrespeitarem os parâmetros, através da realização de uma farmacovigilância mais enfática. Ademais, também é função do Ministério da Saúde reservar uma cota de UBS`s móveis que possam percorrer o Brasil, a fim de promover informação e conscientização sobre o uso de antibióticos de forma autônoma, evitando assim que as conquistas advindas da descoberta da penicilina, não sejam perdidas pelo uso inconsciente da população brasileira.