Superbactérias: reflexo da automedicação?

Enviada em 28/09/2021

A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro, assegura aos cidadãos o direito à saúde, sendo dever do Estado a utilização de mecanismos que a ratifique. Todavia, com o fenômeno de automedicação crescendo no país, propiciando o surgimento de superbactérias, tal pressuposto da Carta Magna não é legitimado, visto que a sociedade fica vunerável ao agravamento das doenças. Esse fato é observado, ora pela desinformação populacional, ora pela facilidade na compra de antibióticos.

Em verdade, com o pouco conhecimento que os individuos têm sobre o assunto, principalmente aqueles menos abastados economicamente, é fomentado a perpetuação do aparecimento de bactérias resistentes aos farmácos. Sob esse viés, na série norte-americana, “Grey’s Anatomy”, em um dos episódios, é possível acompanhar o agravamento severo de um caso médico em uma paciente, por causa do uso indiscriminado de antibióticos, passando de uma simples infecção para uma urgência cirúrgica. Dessa forma, fora da ficção científica, é recorrente a utilização de medicamentos sem a prescrição médica, que, feita sem o conhecimento técnico, é realizada, muitas vezes, erroneamente, comprometendo a saúde da pessoa. Assim, a insuficiência de informação, tanto na escolas, quanto na mídia, sobre o perigo da automedicação, é fator prepoderante para a permanência desse obstáculo à garantia da saúde.

Outrossim, a ausência de uma política eficiente que fiscalize a compra de remédios sem prescrição corrobora a problemática. Nessa perspectiva, junto a uma iniciativa educativa, é necessária, também, uma fiscalizadora, pois os brasileiros, em sua essência burladora das normas, já explicitada pela ideia do “Jeitinho Brasileiro” de Sérgio Buarque de Holanda, sociólogo nacional, tendem a buscar formas que facilite a burocracia imposta. Dessa maneira, em uma tentativa de agilizar o processo de minimização dos sintomas, não vão aos postos de saúde, e com seus saberes, advindos do senso comum, se automedicam, comprando, sem muitas dificuldades, nas farmácias. Logo, colocam eles próprios suas vidas em risco.

Destarte, com o intuito de mitigar os entraves supracitados, é mister que o Governo, como agente na formação de recursos, invista, massivamente, na expansão da informação da nocividade do uso indiscriminado de medicamentos, por meio de parcerias com digitais influencer’s, redes televisivas e instituições educativas, com o fito de atenuar os danos na saúde e a falta de informação existente quanto ao assunto. Ademais, é impreterível que o Estado crie sistemas fiscalizatórios que acompanhe o consumo nas fármacias, a fim de minimizar as compras de remédios sem indicação médica.