Superbactérias: reflexo da automedicação?
Enviada em 28/09/2021
Consoante a visão do filósofo Aristóteles, a ciência política se sobressai em relação as outras, estando ela para o exercício do bem coletivo. Entretanto, no limiar do século XXI, esse pensamento não condiz com a realidade brasileira, uma vez que o surgimento das superbactérias tem como principal causa, a automedicação. Nesse sentido, deve-se analisar não só a falta de informação que corrobora com o uso indiscriminado dos remédios, mas também a negligência governamental.
Em primeira análise, é válido pontuar que superbactérias são aquelas que conseguem resistir ao tratamento mesmo com o uso de antibióticos. Sob essa óptica, muitas pessoas fazem o uso de medicamentos sem consultar um médico, levando em consideração depoimentos na internet. Porém, o que preocupa é que cada caso tem a sua individualidade, e o remédio que serve para um tipo de bactéria, pode não servir para outra, além do uso equivocado de um antibiótico que serve para tratar doenças bacterianas, sendo utilizado, por exemplo no tratamento da gripe, que é viral. Dessa maneira, fica perceptível que a desinformação traz graves danos à saúde, uma vez que se uma pessoa contrai uma bactéria resistente, o tratamento fica mais difícil e, algumas vezes, pode chegar em caso de mortes. Prova disso, é o relatório apresentado pela Organização Mundial de Saúde, no qual em até 2050, se nenhuma medida for tomada, as superbactérias provocarão cerca de 10 milhões de mortes.
Soma-se a isso, a negligência governamental no que tange à péssima infraestrutura do serviço público de saúde. Conforme previsto no artigo 196, da Constitução Federal de 1988, a saúde é direito de todos e dever do Estado. No entanto, ao analisar minuciosamente, é notório destacar que o Estado não cumpre à risca o que está sendo proposto na legislação vigente, em razão da ausência de políticas públicas e fiscalizações eficientes, no quesito do longo tempo de espera por atendimento hospitalar, além de, apesar de existir remédios que só são vendidos com receita médica, a grande maioria, ainda, não é preciso de nenhum tipo de prescrição, o que favorece o seu uso indiscriminado.
Logo, entende-se que a problemática urge por medidas interventivas, pois fere o bem-estar social. Dessa forma, é dever das escolas, em parceria com a mídia televisiva, realizar, campanhas, no qual aborde as consequências do uso indiscriminado de antibióticos, além de informarem aos alunos e aos telespectadores, os procedimentos corretos que a população tem que fazer antes de usar medicamentos, como por exemplo, consultar um médico, tendo como fito atenuar as superbactérias e aumentar a qualidade da saúde das pessoas. Por sua vez, cabe ao Estado, junto com o Ministério da Saúde, investir em infraestrutura e em fiscalizações, visando melhorar o antendimento público. Assim, é possível alcançar uma socidade que esteja para o exercício do bem coletivo, como pautava Aristótoles.