Superbactérias: reflexo da automedicação?

Enviada em 28/09/2021

No poema ‘‘Pneumotórax’’, clássico do modernista Manuel Bandeira, é retrata a triste realidade de um paciente com pneumonia que encontra-se sem perspectiva de melhora e sem possibilidade de tratamento. Fora do contexto literário, evidencia-se na hodiernidade avanços científicos e tecnológicos que possibilitam tratamentos avançados para diversos quadros clínicos, como a pneumonia. No entanto, devido a prática de automedicação, alguns métodos, como antibióticos torna-se ineficientes e ampliam a problemática através do desenvolvimento de superbactérias. À vista disso, torna-se necessário compreender o que motiva, bem como o maior efeito dessa conjuntura ao corpo social.

Nessa perspectiva, faz-se pertinente salientar o papel da mídia na propagação da prática de automedicação, tendo em vista que o seu alto poder de convencimento é promovido través da grande ênfase aos benefício e a reduzida evidenciação dos possíveis efeitos dos medicamentos, tornando o público leigo e manipulado. Isso acontece porque, de acordo com o filósofo francês, Michel Foucault, o poder é articulado, também na mídia, como linguagem geradora de mecanismos de coerção aumentando a subordinação social. Nesse sentido, nota-se que o reduzido tempo e a rapidez  atribuída aos cuidados sobre o uso do medicamento durante as propagandas, apresentam-se como recurso, proposital, de controle sobre o povo por meio da falta de conhecimento, sendo então, preciso revertê-la.

Ademais, percebe-se um grave dano à saúde pública desencadeado pelo uso irregular de medicamento, haja vista que fragiliza as medidas de cuidado ao indivíduo. Prova disso são os dados apresentados pela OMS, os quais mostram que 700 mil pessoas morrem, por ano, vítimas de bactérias resitentes. Dessa forma, é estabelecido um panorâma preocupante, em âmbito mundial, tendo em vista que não deve-se normatizar uma prática tão danosa a vivência humana, assim como retrata Hannan Arent, no seu enfoque a banalidado do mal, no qual as pessoas perdem sua criticidade pela aceitação de medidas ofensivas que podem ser mitigadas, tal como acontece na prática e automedicação.

Portanto, compete ao Governo Federal, por meio do Poder Legislativo, promover a ampliação da lei que regulariza a exposição de publicidade de medicamentos, de forma que o tempo destinado a elas deva ser dividido, para que seja utilizada para promoção comercial, mas também, para informação acerca da funcionalidade e dos riscos possíveis devido ao seu uso, a fim de mitigar a prática de automedicação desinformada por ser prejudicial à saude do indivíduo. Assim sendo, a realidade de esgotamento de medidas de amparo aos necessitados, como foi exposto por Manuel Bandeira, será significativamente reduzida.