Superbactérias: reflexo da automedicação?
Enviada em 28/09/2021
No início do século XX, a descoberta da penicilina na Inglaterra representou um marco na ascensão da era moderna dos antibióticos. Contudo, apesar da constatada benesse dessa inovação, a tendência hodierna à automedicação é, notadamente, gravosa em razão dos riscos de mutações contribuintes para o surgimento de superbactérias. Nesse sentido, é necessária a análise de que o fator imediatista da sociedade, no que tange ao meio medicinal, pode ocasionar, como consequência, efeitos fúnebres decorrentes da resistência medicamentosa propiciada.
A princípio, destaca-se a irresponsabilidade alarmante no atual manejo de fármacos. Sob esse âmbito, Arthur Schopenhauer, expoente célebre da corrente do idealismo alemão, aponta que a dimensão das vontades humanas é insaciável. Posto isso, assim como denotado teoricamente, a urgência extrema do alívio imediato de inconvênios corporais, aliada ao desejo de uma cura rápida, resulta na aquisição de remédios sem a prescrição médica. Destarte, pela carência do discernimento exigido, a precisão da dosagem e do período ministrado é comprometida, de modo a potencializar o risco do consumo descontínuo e exagerado da droga.
Posteriormente, como reflexo desse prevalente descaso, o advento de complicações clínicas é iminente. Por essa óptica, “Resistance”, documentário estadunidense de 2015, ilustra a temática ao retratar que a utilização trivial de antibióticos seleciona as bactérias mais resistentes ao meio, em um panorama denominado “campo de batalha darwiniano”. Nessa perspectiva, a anomalia biológica provocada impede o tratamento com medicações circulantes no mercado, uma vez que o prévio contato do antígeno com o remédio foi induzido, de maneira imprudente, pelo paciente. Logo, desfechos letais são possibilitados a partir de uma ação, essencialmente, evitável.
Diante disso, a promoção do consumo seguro de fármacos é primordial. Assim, urge que o Estado, por meio da veiculação em grandes meios de comunicação, como a televisão e as mídias sociais, intensifique as campanhas educativas relacionadas ao uso de medicamentos. Nesses anúncios, serão encenadas situações-problema corriqueiras — a exemplo da ingestão de um fármaco forte para um simples desconforto estomacal — associadas aos nefastos perigos que esses atos representam, a fim de que, com o reconhecimento da gravidade da problemática, a população seja sensibilizada. Ademais, é imprescindível que as drogarias de todo o país disponham de encartes informativos fixados, de modo a reforçar, para o consumidor, a extrema importância da venda de antibióticos apenas sob uma recomendação profissional.