Superbactérias: reflexo da automedicação?
Enviada em 28/09/2021
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1948, apresenta direitos universais e inalienáveis, como o direito à saúde. Entretanto, a questão da automedicação é uma problemática que pode gerar efeitos nocivos para os indivíduos, principalmente no que tange ao surgimento de superbactérias, devido ao consumo constante de antibióticos ,aumentando, assim, a demanda do sistema de saúde local. Isso se deve, sobretudo, a proliferação de notícias inverídicas sobre determinadas doenças e a facilidade com que se pode comprar remédios sem a prescrição médica.
Sob esse viés, é fundamental salientar que a circulação de notícias falsas sobre medicamentos, que geralmente prometem uma cura rápida ou uma medida profilática perfeita, podem aumentar o seu consumo e prejudicar a saúde dos indivíduos, fazendo com que seus corpos adquiram, com o tempo, uma resistência ao antibiótico ingerido. É pertinente evidenciar que, na contemporaneidade, durante a pandemia viral de Covid-19, no Brasil, surgiu uma grande quantidade de “fake news” sobre a suposta eficácia de medicamentos, como a Azitromicina, no tratamento dessa enfermidade. Nesse sentido, muitos brasileiros foram induzidos a fazerem uso da medicação sem orientação médica, o que, por sua vez, gerou consequências graves, como a sobrecarga hepática, segundo dados do Ministério da Saúde, levando-os a um estado clínico crítico, e aumentando a demanda do sistema de saúde. Desse modo, é condição “sine qua non” que haja campanhas que destaquem o perigo da automedicação.
Ademais, é válido ressaltar que a facilidade com que é possível comprar medicamentos tarjados sem a prescrição médica também impulsiona a automedicação e seus efeitos maléficos. A título de exemplificação, na trama “Pretty Little Liars” destaca a vida da personagem Spencer Hastings, que faz uso indiscriminado de remédios fortes para potencializar a sua imunidade e a sua capacidade cognitiva, e revela de maneira clara como é fácil ter acesso a qualquer tipo de medicamento. Diante disso, é possível destacar que a realidade é análoga a ficção, evidenciando que apesar de existir uma lei que proíbe a venda de remédios com tarja sem a prescrição, a fiscalização é ineficaz, tornando a prática comum. Logo, é imprescindível que o Poder Público tome medidas que contenham essa adversidade.
Portanto, faz-se mister que o Estado monitore a movimentação de notícia falsas, identificando e punindo severamente os culpados, por meio de mais investimentos na polícia, principalmente na área de crimes cibernéticos, com o fito de garantir o bem-estar dos brasileiros. Outrossim, o Estado também deve promover ações de esclarecimento sobre a automedicação, através de campanhas publicitárias, a fim de conscientizar a população sobre o perigo das superbactérias e cumprir o preceituado na DUDH.