Superbactérias: reflexo da automedicação?

Enviada em 28/09/2021

Na série inglesa Outlander, a personagem enfermeira Claire viaja para o século XVIII ajudando milhares de pessoas graças aos seus conhecimentos médicos e desenvolve a penicilina, de forma anônima, antes mesmo de sua descoberta. Fora do ambiente cinematográfico e histórico, percebe-se que a difusão do manuseamento do antibiótico não acompanhou seu grande salto de descoberta e de benefícios que trouxe à humanidade, uma vez que, o escasso conhecimento da sociedade sobre o antibiótico e a falta de um ensino mais completo sobre o assunto são fatores que intensifica o surgimento de superbactérias.

A priori, desde o surgimento desta grande descoberta não se preocuparam em divulgar como e quando utilizar este medicamento.  Vem à tona, o pensamento do renomado médico brasileiro Dráuzio Varella que afirma a necessidade de difundir e tornar mais acessível o conhecimento básico de saúde para as populações. Entretanto, nota-se hodiernamente um descaso na sociedade brasileira, manifestada pela automedicação de remédios não receitados por profissionais de saúde, causando um estado de calamidade pública, estigando, cada vez mais, o surgimento de novas superbactérias. Como consequência, com o passar do tempo, esse medicamento pode-se tornar obsoleto e tranzendo consigo um novo período de retrocesso na saúde mundial que poderá afetar bilhares de indivíduos, reforçando, ainda mais, a necessidade de tornar realidade o pensamento do médico.

Outrossim, a falta de responsabilidade dos orgãos administrativos políticos reforçam ainda mais esta problemática. Filosoficamente, segundo Kant, o homem nada mais é aquilo que a educação faz dele. Seguindo esta ideia, analisa-se a importância do ensino que o Estado falha em repassar para os seus cidadãos, isso porque a falta de um planejamento letivo, sobre a abordagem de saúde básica no ensino fundamental e no ensino médio, contribui para a formação de adultos leigos com potenciais probabilidades de utilizar medicamentos de maneira errônea. Em corolário, instiga a formação de uma população mais vunerável a doenças e dificulta o processo de métodos curativos na esfera mundial.

Portanto, o mau manuseamento e consumo de remédios sem um acompanhamento profissional requer maior atenção. Urge que os indivíduos, por ter o papel de cidadania na sociedade, exija ao Ministério da Educação em conjunto com o Ministério da Saúde, por terem a responsabilidade de formação estudantil e de garantir o bem-estar nacional, que elaborem, por meio de investimentos financeiros, propagadas educativas sobre conhecimentos básicos de saúde e sua importância nas instituições de ensino em todos os graus de escolaridade e também em cartazes nos centros urbanos e rurais, a fim de mitigar essa calamidade e evitar o surgimento de novas doenças.