Superbactérias: reflexo da automedicação?
Enviada em 28/09/2021
A constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia no sistema jurídico, prevê, em seu artigo 6°, o direito à saude como inerente a todo cidadão. Conquanto, tal garantia não tem se manifestado com ênfase na prática quando se observa o reflexo da automedição no surgimento de superbactérias. Com efeito, verifica-se a efetivação de um grave problema, em virtude da ausência de investimentos em programas educacionais e da negativa enfluência midiática em relação a esse quadro deletério.
Diante desse cenário, é válido ressaltar a carência de investimentos em projetos de educação como impulsionadora desse entrave. De acordo com Fundação Getúlio Vargas, a taxa de investimento no País, somando setores públicos e privados, está no seu menor nível dos últimos 50 anos. Nesse sentido, se não são destinados recursos para a implementação de projetos nas escolas que visem educar os indivíduos no que tange à automedicação e suas consequências, como o surgimento de superbactérias, o corpo social torna-se alheio às mazelas sociais. Consequentemente, isso também pode acarretar possíveis pandemias como a do “covid-19’’, que apesar de não ter surgido devido à automedicação, esta é um caminho que possibilita a mutação nos genes de organismos microscópicos e, por conseguinte, a erradicação de organismos que tem potencial poder de mutação é muito mais difícil, como ocorre no caso da arbovirose ‘‘dengue’’.
Além disso, vê-se a maléfica interferência dos meios de comunicação como um empecilho à consolidação de uma solução. Conforme o sociólogo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, nota-se que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da sociedade em relação aos malefícos da automedicação, influencia na permanência do imbróglio, pois veicula em suas mídias televisivas, propagandas e anúncios de vários remédios, como o do medicamento ‘‘doril’’ e, por meio da função apelativa, tenta convencer a população a efetuar a compra dessas substâncias sem a prescrição de um profissional, ocasionando, dessa forma, o surgimento de novas doenças com um maior grau de virulência.
Depreende-se, portanto, a necessidade de dialogar sobre a automedição e seus reflexos. Assim, o Ministério da Saúde, por meio de parcerias com as escolas, deve desenvolver projetos com a participação de especialistas no assunto, como o médico Dráuzio Varela, a fim de conversar, informar e desestigmatizar os ‘‘remédios milagreiros’’ e os perigos da automedicação, como também medidas de como prevenir a danosa influência midiático com relação a isso. Desse modo, dialogando sobre esse assunto, a sociedade estará mais próxima de usufruir dos direitos assegurados pela Magna Carta.