Superbactérias: reflexo da automedicação?
Enviada em 23/10/2021
Equiparando a sociedade a um organismo biológico,Émile Durkheim,o principal ‘‘arquiteto’’ da ciência social moderna,definiu que a coesão dos indivíduos atua como órgão na busca pelo bem-estar social.Contudo,no Brasil isso é transgredido,haja visto que o país está enfrentando uma crise na questão das superbactérias.Essa situação infeliz acontece tanto pela perpetuação do hábito da automedicação quanto por displicência do governo.
A princípio,destaca-se a influência do conjunto social como mantenedora da automedicação no Brasil.No contexto atual,segundo Erich Fromm,as práticas e pensamentos pessoais são produto do caráter familiar.Nessa perspectiva,a utilização abusica de antibióticos,encaixa na teoria do filósofo,uma vez que muito dos cidadãos acudidos por essa prática,originária de superbactérias as quais tornam tratamentos obsoletas,foram crianças formadas em ambientes com hábitos similares a estes e por conseguinte graças à vivência em grupo o assumiram.
Outrossim,de acordo com Montesquieu,protagonista da tripartição dos poderes políticos,a existência de boas leis não assegura por si justiça.Logo,verifica-se a ocorrência desta insegurança legal no Brasil,visto que embora à constituição de 1988 garanta saúde a todos,em muitas áreas no interior do Norte,Nordeste e periferias das grandes cidades do Sudeste ocorre uma deplorável escassez de profissionais da saúde,o que pressiona parcela significativa dos doentes dessas localidades recorrerem a automedicação.Dessa forma,o direito assegurando na vigente Carta Magna permanece somente no papel.
Infere-se,portanto,que a incidência da automedicação no Brasil a qual provoca superbactérias está diretamente relacionada a noções familiares,assim como a vaga atuação do Estado no cumprimento de nossa Lei Maior.Para conter a problemática,cabe às prefeituras,importante agente político e social próximo aos cidadãos,usando parte do fisco municipal,repasses federais e estaduais,atuar a curto e longo prazo.De imediato,em parceria com escolas públicas e privadas da região,promover trimestralmente palestras e rodas de conversa entre alunos,responsáveis,farmacêuticos e bioquímicos para discutir e sanar dúvidas acerca da importância de evitar-se o uso de remédios sem prescrição,principalmente de antibióticos.Mais adiante o executivo local deve atrair médicos e enfermeiros as regiões carentes supracitadas,o que pode ser feito por meio de melhores salários.Com esse conjunto de medidas,é possível que a sociedade brasileira seja mais articulada,tal qual um ‘‘corpo biológico’’.