Superbactérias: reflexo da automedicação?
Enviada em 29/10/2021
Desde a descoberta da penicilina, o ser humano deu um enorme salto no que tange ao combate de doenças, especialmente aquelas antigamente consideradas incuráveis, como a meningite. No entanto, a humanidade vem se tornando vítima de seu próprio avanço, já que, apesar de outros fatores influenciarem nesse evento, a facilidade de acesso a antibióticos para a população e a dificuldade de encontrar um tratamento vem culminando nas chamadas “superbactérias”, nas quais esperam causar até dez milhões de mortes ao ano no mundo, de acordo com a Review Antimicrobial Resistance.
O termo “superbactérias” é um termo amplo utilizado para definir as bactérias resistentes à medicamentos ministrados em pacientes afim de tratar infecções por esses microrganismos, no entanto, a utilização incorreta de tais fármacos faz com que esses seres vivos desenvolvam mecanismos que seguem o princípio evolutivo de Darwin, se adaptando ao efeito deles nas células.
Essa resistência provém de múltiplos fatores, como a aplicação indiscriminada de antibióticos na indústria da agricultura e da pecuária, entretanto, a principal causa desse problema é a automedicação inadequada por parte da população no geral, visto que ao violar o tratamento prescrito, o indíviduo permite que essa bactéria não seja combatida no organismo como deveria, desenvolvendo mecanismos ao ser exposta a essas substâncias. No Brasil, 77% das pessoas se automedicam, de acordo com uma pesquisa do CFF, sendo que 57% afirma ter alterado por conta própria a dose ou o período de medicação prescrito pelo médico.
Tal ato é extremamente perigoso, pois esgota o acervo de possíveis substâncias que poderiam ser utilizadas pelos médicos para tratar a mesma doença se esta não fosse causada por um microrganismo resistente, fazendo com que estes profissionais precisem adequar o tratamento concomitantemente à descoberta do agente causador da patologia, no qual acaba sendo um desafio, já que o desenvolvimento de novas medicações levam ao menos dez anos para acontecer, tornando necessário a aplicação de outras metodologias que contenham essa proliferação.
Medidas como a pulverização de campanhas informativas sobre a higiene das mãos, como feito durante a pandemia de 2020; a obrigatoriedade da retenção de receita médica para adquirir antibióticos; e a regulação desse uso em larga escala no meio veterinário; são soluções eficazes para evitar o surgimento dos organismos resistentes, porque acaba diminuindo a propagação de doenças; restringe o acesso desnecessário do público em geral a tais medicamentos; e inibe essas possíveis ocorrências no ambiente rural. Tais ações garantem que de fato combatamos doenças, ao invés de causar outras piores.