Superbactérias: reflexo da automedicação?

Enviada em 19/11/2021

O artigo 196 da Constituição brasileira prevê a saúde como um diretor de todos e dever do Estado, garantida mediantes medidas preventivas. Contudo, ao observar a formação de superbactérias, diante da automedicação, percebe-se que o direito a saúde é violado na realidade brasileira. Nesse sentido, com o intuito de solucionar a problemática. Torna-se fundamental analisar as causas da problemática: o uso exacerbado de antibióticos e a falta de instrução da população.

Nesse contexto, é importante ressaltar que o uso indiscriminado de antibióticos favorece a formação de superbactérias. De fato, segundo a teoria da seleção natural do biólogo Charles Darwin, o meio seleciona os indivíduos mais aptos ao meio. Nessa lógica, o uso exagerado de antibióticos acelera a seleção das bactérias mais resistentes aos antibióticos no ambiente, o que reduz a eficácia dos medicamentos contra as bactérias e, por conseguinte, dificulta o combate às doenças infecciosas. Dessa forma, a automedicação é um entrave para a saúde pública.

Outrossim, a falta de informação da população sobre os riscos da automedicação é um impulsionador do problema. De fato, segundo o educador Paulo Freire, a escola tem o dever de não somente ensinar os conteúdos técnicos, mas também de desenvolver as capacidades críticas e analíticas que permitem ao aluno entender e mudar sua realidade. Nesse panorama, a falta de instrução escolar sobre os antibióticos favorece a automedicação, uma vez que os discentes não sabem os efeitos da prática da automedicação, o que promove o desenvolvimento de bactérias super-resistentes aos medicamentos. Desse modo, a falta de atuação do meio educacional dificulta o combate as superbactérias.

Depreende-se, portanto, a necessidade de ações interventivas, com o objetivo de mitigar o impasse. Logo, cabe ao Ministério da Saúde – na condição de garantidor dos direitos de saúde da população – conscientizar a população sobre os riscos da automedicação, por meio de propagandas na televisão e em redes sociais, como o Facebook e o Instagram, a fim de reduzir esse hábito e, por consequência, combater o desenvolvimento de superbactérias. Dessa maneira, a saúde preventiva será posta em prática e os direitos previstos na Magna Carta estarão mais próximos da realidade.