Superbactérias: reflexo da automedicação?
Enviada em 26/07/2022
Paracelso, médico suíço, dizia que “a diferença entre o rémedio e o veneno está na dose”. De tal modo, o médico explana com o seu pensamento a realidade brasileira, visto que a prática da automedicação é extremamente comum entre a população. Nesse sentido, fica evidente que o problema das superbactérias é um reflexo do ato de se automedicar. Sendo assim, a influência da mídia quanto ao uso de remédios aliada ao imediatismo do alivío das dores levam a esse cenário.
Em primeiro plano, a falta de filtros críticos é a base para que a o ato de se medicar permaneça sendo amplamente utilizado. Nesse viés, o livro “Memórias de Brás Cubas”, escrito por Machado de Assis, apresenta o protagonista, Brás Cubas, no fim de sua vida criando um remédio idealizado por ele que almejava a cura de todos os males da humanidade, todavia tal remédio não funcionou. Desse modo, fora do livro, essa também é um realidade, haja visto que as mídias induzem por meio das propagandas a compra de medicamentos que possuem a finalidade de aliviar dores e melhorar a vida das pessoas. Por fim, essa influência das mídias solificam cada vez mais a automedicação e com isso a comunidade ainda carece da mobilidade do senso crítico quanto tal ato.
Além disso, na maioria das vezes, os remédios são ingeridos como uma maneira imediata de aliviar as dores. De tal modo, Zygmunt Bauman, sociólogo, enfatiza a modernidade líquida presente na sociedade, sua fluidez e o imediatismo. Dessa maneira, pode-se ressaltar a superficialidade das ações e questionamentos dos indivíduos, isso porque a automedicação é para muitos a associação de cura, quando na realidade esse ato pode provocar outras doenças, como também induzir a formação de bactérias ressistentes.
Portanto, os remédios são uma avanço para a sociedade, porém devem ser tomados na dosagem certa e com orientação. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, instituir o projeto “Automedicar com Orientação”, esse deve ser aplicado por intermédio de uma equipe através da criação de um aplicativo dinâmico com informações sobre o ato de se medicar, orientações para busca de consulta médica e vídeos curtos que busquem a reflexão quanto ao ato de se medicar. Assim, a automedicação será minimizada, bem como o problema das superbactérias.