Superbactérias: reflexo da automedicação?
Enviada em 29/09/2022
Segundo Sartre, o homem é capaz de escolher as suas próprias ações, pois é li-vre e responsável. No entanto, tal responsabilidade não é vista no que tange à au-tomedicação, que tem gerado bactérias resistentes às tecnologias farmacológicas existentes e, consequentemente, tornado diversos tratamentos menos eficientes. Nesse contexto, configura-se um complexo problema que tem como causas a invi-sibilização do tema e a busca de prazeres efêmeros pela sociedade.
Sob esse viés, em primeiro plano, o silenciamento da temática impacta na ques-tão. De acordo com essa perspectiva, Djamila Ribeiro defende que é preciso tirar u-ma situação da invisibilidade para que soluções sejam tomadas. Com efeito, tal ne-cessidade está presente na problemática da compra de remédios sem prescrição médica, uma vez que há ausência de publicidades na televisão e de debates em lo-cais públicos, como escolas, por exemplo, sobre as consequências perigosas do ato de se automedicar. Desse modo, sem políticas públicas de conscientização, infeliz-mente, muitas pessoas continuam usando medicamentos por conta própria e con-tribuem para o surgimento de superbactérias. Assim, urge debater mais o tema.
Além disso, é coerente apontar a priorização da satisfação momentânea como um fator agravante do problema. Seguindo essa lógica, a filosofia hedonista aponta o prazer como o sentido da vida. De fato, o Hedonismo é notório no panorama do uso indiscriminado de fármacos, visto que, visando o alívio imediato de sintomas, grande parte dos indivíduos opta por se automedicar e se ausenta de uma análise mais prudente feita por profissionais da saúde. Dessa forma, preocupantemente, o corpo civil abusa de remédios sem levar em conta os efeitos colaterais e a seleção de microorganismos resistentes. Destarte, é preciso mitigar a lógica hedonista.
Portanto, é necessário intervir nesse cenário. Para tal, o Ministério da Saúde de-ve realizar campanhas publicitárias na TV, bem como “workshops” em espaços es-colares e laborais, sobre os graves efeitos da automedicação nas esferas individual e coletiva. Essa iniciativa ocorrerá por meio de uma Lei de Diretrizes Oraçamentári-as que destine verbas para os projetos, a fim de solucionar a falta de deliberações a respeito da temática. Ademais, tal ação pode, ainda, contar com divulgação nas redes sociais. Dessa maneira, a responsabilidade sartriana será concretizada.