Superbactérias: reflexo da automedicação?
Enviada em 01/10/2022
Com a falta de conscientização pátria e a má administração estatal na saúde pública, os casos de superbactérias têm aumentado nas últimas décadas e, segundo o médico sanitarista Drauzio Varella, se o poder público e a população não trabalharem em conjunto para mudar o cenário atual, em até 20 anos não haverá mais antibióticos eficientes para o tratamento bacteriano. Portanto, são necessárias ações para aplacar tal óbice e zelar pela saúde da nação.
Em primeira análise, é correto afirmar que a população desconhece a ação e o uso correto dos antibióticos. Como Laurie Garret explica no livro “A Próxima Peste”, a maioria das pessoas no mundo acreditam que antibióticos são medicações analgésicas e não para tratamento infeccioso. Isso mostra que a falta de conscientização é uma barreira no combate às superbactérias, visto que, sem saber qual a ação do medicamento, os pacientes acabam fazendo uso discriminado dele e como consequência, contribuem para a resistência bacteriana.
Ademais, a falta de fiscalização do poder público colabora para que as bactérias evoluam e criem resistência aos antibióticos. Segundo dados da Anvisa, a maioria dos casos de superbactérias ocorrem no meio hospitalar. Nesse sentido, os órgãos de fiscalização do governo falham na vigilância sanitárias dos setores públicos e privados. Além disso, conforme o G1 (Portal de Notícias da Globo), o Manual de Microbiologia Clínica para controle de infecções nos serviços de saúde está sem atualização do Ministério da Saúde desde 2004. Portanto, fica evidente o descaso por parte do governo em combater a propagação das superbactérias.
Dado o exposto, é mister que haja políticas públicas para mitigar a problemática. Posto isto, cabe ao Ministério da Saúde concentrar verbas para criar campanhas de conscientização sobre os perigos das superbactérias. Por meio de comerciais nos meios de comunicação e mídias sociais, ensinar a população sobre o uso correto de antibióticos e sobre a importância de seguir corretamente o tratamento médico. Além disso, expandir setores de vigilância sanitária nos sistemas público e privado de saúde, para que a fiscalização seja mais severa. Dessa forma, as doenças infectocontagiosas diminuirão na mesma propoção que os riscos de superbactérias, proporcionando saúde de qualidade à sociedade.