Superbactérias: reflexo da automedicação?

Enviada em 10/10/2022

Alexander Fleming, em 1928, por acaso, fez uma das maiores descobertas da medicina: a penicilina. Tal substância é considerada o primeiro antibiótico e suas propriedades médicas mostraram-se efetivas contra uma gama de bacterioses que até então não tinham meios eficazes de tratamento. Todavia, a popularização dos antibióticos, ao longo dos anos, suscita uma importante discussão: a proliferação das superbactérias e sua relação com a automedicação.

De início, o uso desenfreado pela população deste tipo de droga é a principal causa das superbactérias. Segundo o infectologista Carlos Kiffer, pesquisador da Universidade Federal de São Paulo, o uso de antibióticos na agricultura e na pecuária também proporciona as mutações, mas o abuso pela população é o maior fator. Sob essa ótica, o uso de medicamentos sem acompanhamento médico, além de permitir o surgimento de bactérias mais resistentes, também coloca em risco o próprio cidadão ao usar um medicamento que pode ser prejudicial ao seu quadro clínico. Dessa forma, a automedicação atua de forma negativa em dois aspectos, tanto a saúde coletiva quanto individual, devendo, pois, ser rechaçada.

Ademais, a falta de controle estatal sobre a venda de medicamentos permite o avanço do problema. No Brasil, é proibido por lei a comercialização de antibióticos sem prescrição médica. Contudo, a realidade brasileira se distancia do corpo jurídico, sendo tais drogas médicas vendidas com pouco controle. Tal situação ficou mais visível durante a pandemia de COVID-19, em que a proliferação de fake news gerou diversos métodos de tratamento com o uso de antibióticos. Logo, a falta de fiscalização governamental consente para a piora do cenário.

Depreende-se, portanto, que a proliferação de superbactérias é um importante caso de saúde pública que urge ser combatido. É dever da Agência Nacional de Vigilância Sanitária atuar para impedir o uso indiscriminado de antibióticos. Isso pode ser feito por meio da adoção de medidas mais restritivas sob a comercialização, exigindo que as farmácias comprovem todas as vendas destes medicamentos semanalmente e com a apresentação das receitas médicas. Assim, com o controle efetivo, as hipóteses de mutações gerando bactérias mais resistentes será diminuído e a descoberta de Fleming permanecerá eficaz.