Superbactérias: reflexo da automedicação?

Enviada em 19/10/2023

A teoria da seleção natural, elaborada pelo cientista Charles Darwin, afirma que o meio ambiente atua como um selecionador de características, perpetuando os organismos mais aptos a viver naquele local. Diante dessa perspectiva, compreende-se que o desenvolvimento de superbactérias é causado pelo uso incorreto de antibióticos, visto que, quando os microorganismos são expostos a esses medicamentos, um pequeno grupo mais forte pode sobreviver e posteriormente se reproduzir. Nesse contexto, é necessário analisar as causas e consequências da lacuna educacional e da cultura imediatista, visando descobrir se a automedicação está ligada a este problema.

Primeiramente, deve-se pontuar que a carência de educação é um dos motivos para a geração dessa problemática. De acordo com um levantamento do Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, noventa por cento das pessoas se automedicam no Brasil. Tal situação ocorre, pois muitas pessoas desconhecem os riscos dos remédios, tornando-se vulneráveis aos efeitos da falta de acompanhamento profissional. Nesse sentido, é possível afirmar que a reconfi-guração do sistema educacional, com ênfase na educação medicamentosa, pode contribuir para melhorar o cenário nacional.

Ademais, é nítido que a questão está relacionada com o imediatismo. Segundo uma pesquisa realizada pelo “Datafolha”, quarenta e três por cento dos brasileiros vivem em um ritmo muito acelerado. A partir disso, é válido evidenciar que a busca por soluções rápidas pode levar indivíduos a comprarem medicamentos sem consulta profissional, consequentemente, aumentando os riscos da criação de superbactérias.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação promover a inclusão dos efeitos dos medicamentos no cúrriculo escolar desde os primeiros anos de ensino, por meio de disciplinas específicas ou abordagens interdisciplinares, visando não apenas informar os alunos sobre os riscos, mas também desenvolver habilidades críticas que os tornem capazes de identificar e aconselhar outras pessoas sobre os perigos da automedicação e, em decorrência disso, reduzir a formação de bactérias resistentes a antibióticos.