Superbactérias: reflexo da automedicação?
Enviada em 08/08/2024
Na série The Last of Us, a sociedade é prejudicada pela mutação de um fungo que, devido a sua adaptação ao aumento do clima ocasionado pelo aquecimento global, infecta humanos. Analogamente, no Brasil atual, há o alarmante avanço das superbactérias, que resistem aos antibióticos, também por culpa dos humanos, pois, isso ocorre em reflexo da elevação da automedicação pública e a negligência estatal.
É nítido, em primeiro lugar, o impacto causado pela automedicação. Segundo o infectologista Carlos Kiffer, a procedência evolutiva desses microrganismos é resultado do uso descriminado de antibióticos. Esse uso descriminado acontece porque, infelizmente, não existe o acesso público a uma infraestrutura hospitalar de qualidade no âmbito brasileiro, por isso, os cidadãos cuidam de si próprios por automedicação, a comprovação disso é o aumento do número das superbactérias, tal que, segundo a Anvisa, somente em 2012 foram reportados 10 mil casos de bactérias resistentes.
Paralelamente, a ausência de infraestrutura hospitalar decorre da negligência governamental. Conforme o portal de notícias BBC, há uma especulação de 392 mil mortos até 2050 por conta da resistência a antibióticos, somente na América Latina, já na África, localidade de menor infraestrutura, a previsão é de 4,15 milhões de mortos. Logo, nas localidades nas quais o investimento em saúde é mínimo ou ausente, a consequência é o alto índice de mortos por conta da adequação dos seres microscópicos aos remédios consumidos sem uma consulta profissional.
Em síntese, urge a busca por métodos de amenização desse cenário. Assim, o Ministério da Saúde deve ampliar verba para a criação do Projeto Hospitalar, que melhorará a infraestrutura dos hospitais, por meio de reformas, construções de mais zonas de atendimento, e também, investir em desenvolvimento de aplicativo para prestação de serviço médico digital e gratuito, a fim de atender os cidadãos de maneira profissional. Só então, a realidade brasileira irá distanciar-se do futuro distópico de The Last of Us.