Superexposição nas redes sociais

Enviada em 03/09/2019

Em O livro do Desassossego, o heterônimo de Pessoa, Bernardo Soares, diz: “tudo que se passa no onde vivemos é em nós que se passa”. Sob esse viés, o onde se vive reflete e é reflexo de quem se é, de tal modo que os problemas que se passam no Brasil devem ser da conta de todos os brasileiros. Nesse contexto, é essencial compreender a necessidade em debater sobre a superexposição nas redes sociais, cujas principais causas dizem respeito á necessidade de aceitação e a supervalorização do mundo virtual.

Antes de tudo, a superexposição nas redes sociais precisa ser analisada por um prisma sociocultural. De tal modo, compreende-se que há uma necessidade no cidadão em ser aceito socialmente. Tal realidade é ratificada ao observarmos o comportamento dos internautas, que encontram sua forma de aceitação nas redes sociais, esse comportamento e caracterizado por um alto número de postagens, sempre destacando o melhor de si e se colocando em uma posição superior ao outro. Por consequência disso, se tem uma população cada vez mais dependente das redes sociais, e que precisa se afirmar virtualmente e estar “online” a todo momento.

Em segunda análise, podemos constatar que a superexposição digital também possui raízes no processo de supervalorização do mundo virtual que tem se passado atualmente. Diante disso os usuários vem cada vez mais, fazendo viagens, atividades físicas entre outros, não para beneficio próprio, mas com a intenção de colocar em suas redes sociais tudo que faz. Criando assim um alter ego virtual -que não possui fraquezas nem defeitos- com o objetivo de encobrir a realidade de uma população cada vez mais individualista, onde vem se tornando cada dia mais comum desenvolver distúrbios psicológicos ligados a tal exposição desenfreada.

Logo, já dizia no século XVII o fidalgo Dom Quixote: “uma andorinha só não faz verão”. Diante disso, para combater a superexposição nas redes sociais, é importante uma ação conjunta da tríade mídia, família e escola. Visando combater o alto uso de redes sociais, cabe a mídia através de campanhas chamativas e voltadas principalmente ao público jovem, conscientizar sobre os perigos desse alto uso e mostrar que existe vida além das redes sociais, a fim de que a dependência de afirmação nas redes diminua. A escola, como espaço dialógico, deverá buscar o apoio da família para realizar palestras sobre inteligência emocional, e de conscientização sobre o uso de redes sociais para alunos e pais, deverá também incentivar o convívio fora do mundo virtual, a fim de promover o uso inteligente das redes. Somente assim será possível ser um bom reflexo para que a sociedade futura possa se espelhar.