Superexposição nas redes sociais

Enviada em 01/10/2019

A série televisiva “Black Mirror” tem enredo baseado na forma como a tecnologia pode influenciar a sociedade. Dentre outros temas, o seriado aborda os impactos da superexposição nas redes sociais sobre os personagens. Fora das telas, essa problemática também afeta a vida das pessoas e é oriunda da espetacularização da sociedade, tendo como efeito a diminuição da segurança no ambiente virtual. Diante dessa perspectiva torna-se necessário o debate sobre o tema.

Convém analisar, primeiramente, a origem do excesso de exposição na internet. Analisando-se as redes sociais atualmente, verifica-se essa tendência a superexposição e o excesso de valorização da imagem pessoal, com o objetivo de alcançar, cada vez mais, seguidores e curtidas. Isso pode ser elucidado pelo livro “Sociedade do espetáculo”, do escritor Guy Derbord, no qual o autor defendia a ideia que a vida da sociedade contemporânea, se anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos. Nesse sentido o indivíduo, ao utilizar a internet, se preocupa muito mais com a aparência do que com a realidade.

Cabe destacar, também, as consequências da superexposição na rede. Dados os perigos existentes na internet seria sensato pensar que as pessoas se preocupassem com sua segurança no ambiente digital. Entretanto, isso não ocorre na prática e permite a ocorrência de golpes virtuais. Isso ocorre pois, ao terem liberdade para postar o que quiser nas redes sociais, as pessoas permitem o acesso a informações privadas, que podem gerar situações de risco, como golpes bancários. Tal situação é confirmada pela pesquisa realizada pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação, no qual relevou-se que cerca de 25% dos jovens tem perfis públicos nas redes sociais, em que qualquer pessoa pode ter acesso a informações sensíveis, como data de nascimento e endereço.

Fica claro, portanto, a necessidade da tomada de medidas que possam diminuir a exposição exagerada nas mídias digitais. Nesse sentido, a fim de conscientizar a população sobre esse problema, o Ministério de Educação e Cultura (MEC) deve criar, por meio de recursos governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais que alertem sobre a importância da privacidade na internet e advirtam as pessoas do perigo que essa superexposição da imagem pode gerar. Espera-se que com essa medida, a sociedade seja melhor orientada sobre o assunto e possa ter uma maior cautela com as informações que expõe no ambiente virtual.