Superexposição nas redes sociais

Enviada em 21/02/2020

“Eu vou postar só pra doer em você. Eu vou descer o nível, a tática é infalível”. Na música Tática Infalível, o cantor sertanejo Luan Santana relata como usa as redes sociais para não transparecer seu sofrimento após o término do seu relacionamento, algo bem comum nos dias atuais. Infelizmente, esse mal uso da mídia é bastante prejudicial para a sociedade, pois muitas pessoas em busca de autoafirmação, supervalorizam suas vidas criando uma realidade surreal nas redes. É notório que não só a influência da mídia, mas também a falta de políticas educativas contribui para essa problemática.

De início, é necessário destacar que a interferência dos meios de comunicação colabora para o excesso da autoafirmação nas redes sociais. Isso acontece porque a mídia estabelece padrões estéticos e comportamentais, impondo que sua adesão seja necessária para todo indivíduo. Nessa conjectura, na teoria “Coesão Social” o sociólogo Émile Durkheim afirma que muitos indivíduos são reprimidos pelo simples fato de fugir do padrão imposto pela sociedade, ou seja, as mídias digitais ao fortalecerem cada vez mais o padrão, excluem ainda mais quem não adere a ele. Consequentemente, tem-se a perda de noção de muitos indivíduos, que para alcançar o padrão, compartilha uma vida fajuta nas redes sociais. Assim, tornando necessário combater a proliferação desses padrões midiáticos.

Além disso, a criticidade da educação no Brasil colabora para o despreparo da população diante de tantas performances nas redes sociais. Para o educador brasileiro Paulo Freire, “Educar não é só ensinar a ler palavras, mas também ler o mundo”, ou seja, a Escola deve preparar o aluno tanto para âmbito acadêmico, quanto para o social. Nesse sentido, a instrução do educador traz um alerta para a sociedade, uma vez que a Escola pouco participa da formação social do jovem, o que deixa-o dentro das redes sociais sem nenhum tipo instrução. O resultado disso é uma maior exposição do jovem a distúrbios mentais como transtorno de ansiedade e a depressão, pois o mesmo se frusta sem sabem assimilar o que realmente é verdadeiro das “vidas perfeitas” nas redes sociais. Desse modo, fica evidente a importância da educação no combate à exposição dessas performances.

Portanto, percebe-se a necessidade de combater a supervalorização da imagem no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Cidadania alerta a população sobre o risco da padronização, através de propagandas televisivas diárias com personalidades que estimulem a adversidade estética e comportamental, assim, inibindo o compartilhamento das vidas fajutas nas redes. Já o Ministério da Educação deve conscientizar os jovens sobre o prejuízo que as redes sociais podem trazer nas suas vidas, por meio de palestras mensais com especialistas que direcionarão o jovem para um uso positivo das rede. Destarte, a “tática infalível” da música não será uma idealização do jovem no Brasil.