Superexposição nas redes sociais

Enviada em 21/06/2020

Na série norte-americana “Você”, o gerente de livraria Joe Goldberg conhece uma garota e se apaixona à primeira vista. Ao descobrir seu nome, recorre à internet para encontrar informações sobre Guinevere Beck - e encontra. Afinal, todas as suas redes sociais são públicas e seus dados pessoais estão disponíveis a qualquer um. Nesse sentido, Joe ultrapassa o virtual e passa a observá-la pela janela de sua casa, o que evidencia um cenário doentio facilitado pela superexposição na internet. Fora da trama televisiva, no Brasil, o uso indiscriminado das redes é presente, ora pelo ímpeto de espetacularizar a vida, ora pela escassez de campanhas de cunho informativo, podendo, assim, acarretar danos à vítima, uma vez que seus dados privados são levados à esfera pública. Portanto, com vistas a preservar a integridade humana, é necessário um olhar mais crítico de enfrentamento acerca da problemática.

Em primeiro lugar, é imprescindível analisar o primeiro fator que impossibilita a erradicação de problemas como o da série supracitada: a espetacularização da vida. Conforme a teoria de Guy Debord, pensador francês, o indivíduo transforma nuances do seu cotidiano em espetáculo, ou seja, a ida ao supermercado X, a viagem das férias de julho, bem como o seu próprio endereço residencial são divulgadas nas redes sociais como forma de mostrar a plateia - público que o assiste - seu estado emocional por meio de conteúdos imagéticos e pisctorialísticos. Entretanto, além de criar um mundo ficcional nas redes, o ser humano abre portas para atitudes oportunistas de pessoas como Joe Goldberg, visto que a partir de informações privadas levadas à esfera pública, o acesso a elas se torna instantâneo. Desse modo, é fulcral que a teoria de Debord se restrinja apenas à ficção.

Em segundo lugar, a falta de campanhas informativas a respeito do correto uso das redes e do perigo que elas podem trazer ao indivíduo corrobora a mazela. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dois terços da população brasileira está conectado à internet. Tal pesquisa realizada no ano de 2018, deve ser considerada impulsionadora para criação de propagandas elucidativas, uma vez que uma grande gama de brasileiros está vulnerável a situações nefastas caso não possua informações críveis de cuidado a sua própria integridade.

Logo, o governo, aliado a empresas midiáticas, deve criar oficinas gratuitas e obrigatórias nos meios acadêmicos, cujo o objetivo primordial deverá ser construir um maior senso crítico acerca dos perigos que o mau uso das redes pode surtir na vida dos usuários, por meio de discussões das causas e consequências que a espetacularização da vida pode acarretar. Dessa forma, com a população devidamente informada, por meio das oficinas e propagandas elucidativas realizadas em trabalho conjunto do governo com a mídia, será possível tornar a problemática vivida em “Você” restrita à ficção.