Superexposição nas redes sociais
Enviada em 27/06/2020
A expansão da World Wide Web permitiu à humanidade o acesso a inúmeros documentos armazenados na internet em formato digital que vão de textos, imagens, sons e vídeos. Entretanto, a facilidade em usufruir de conteúdo online, atrelada à superexposição de crianças e adolescentes em suas redes sociais, pode atrair diversos predadores. Nesse contexto, é importante analisar como a banalização do uso da internet no dia a dia ameaça à integridade física e racional do jovem. Primeiramente, nos últimos anos a sociedade do espetáculo, assim descrita por Guy Debord, mediou as relações sociais por meio das imagens, ou seja, as pessoas eram definidas por aquilo que compartilhavam em seus perfis. Desse modo, desenvolveu-se a relação atual entre crianças e adolescentes com a internet, visto que, por serem prematuramente apresentados ao mundo digital, manifestam o desejo de imitar a vida de famosos influenciadores. A exemplo disso, a “blogueira fitness infantil”, Anna Clara Nunes, de 9 anos, que expõe diariamente sua rotina de academia em uma rede social. A incorporação de códigos do ambiente adulto, portanto, força o amadurecimento precoce de crianças e não os permitem aproveitarem a infância como deveriam.
Além disso, nessa fase da vida há uma disposição à onipotência, isto significa, a sensação da capacidade ilimitada de fazer qualquer coisa. Entretanto, é imprescindível alertá-los sobre o perigo que este pensamento acompanha, pois normalizou-se a atualização constante dos check-in’s em estabelecimentos e, inclusive, fotos sensuais. Consequentemente, criminosos conseguem estabelecer conexões com os dados privados do jovem e os utilizam para manipulá-los, iniciar conversas e marcar encontros sem o consentimento de adultos.
Assim, um grande desafio, atualmente, é mediar a quantidade de informação pessoal de crianças e adolescentes encontrada na internet. Para isso, é preciso que a família converse e oriente os filhos sobre a necessidade de resguardar a privacidade e, também, estabelecer práticas que facilitem seu monitoramento por intermédio da verificação de históricos do computador, instalação de antivírus, ter ao alcance senhas e impondo limites quanto ao uso dos dispositivos conectados à internet. Dessa forma, visa-se garantir a segurança do menor e, ao mesmo tempo, permitir com que ele desfrute do lado bom da internet. É necessário, ainda, que o governo, por meio de ações da Polícia Civil, navegue online em busca de aproveitadores por meio de equipamentos tecnológicos sofisticados, a fim de minimizar as ameaças online.