Superexposição nas redes sociais
Enviada em 30/08/2020
O filme “Nerve” de 2016, estrelado pela atriz Emma Roberts, adquiriu a atenção do público ao retratar a história de um jogo, no qual jogadores realizam tarefas perigosas e expõem seu cotidiano para todo o mundo em troca de seguidores. Fora das telas, o longa representa uma crítica à sociedade contemporânea, e à superexposição de seus internautas devido ao apego pelas redes sociais e a fama proporcionada por ela. Nesse contexto, a exposição excessiva na mídia afeta milhares de brasileiros diariamente e, portanto, é preciso entender as causas e as consequências dessa problemática.
Em primeiro momento, faz-se necessário compreender porque essa exposição ocorre. Em muitos casos, a mídia pode adquirir papel fundamental na disseminação de notícias que não viriam a público sem sua influência, entretanto, esta pode ainda ultrapassar os limites da ética, provocando a superexposição de pessoas de maneira negativa. Assim, uma exemplificação desse lado do setor midiático é o caso da jornalista Caroline Flack que cometeu suicídio após paparazzis britânicos invadirem sua privacidade e divulgarem informações falsas a seu respeito. Ademais, a exposição pode partir do próprio indivíduo, divulgando seus dados e opiniões pessoais, sujeitando-se a chamada “Cultura do Cancelamento do Século XXI”, a qual exclui aqueles que fogem do padrão vigente.
Além disso, um outro fator que corrobora para os altos níveis de exposição na internet é o desejo de se tornarem influenciadores de mídia. Segundo dados fornecidos pela YouPix, do total de entrevistados, entre dezoito e trinta e quatro anos, apenas dez por cento destes não se consideraram afetados pelos “digitais influencers”. Entretanto, essa vida pública pode apresentar consequências negativas. A superexposição pode tornar uma pessoa suscetível a sofrer ataques de ódio e ter sua vida privada divulgada, corroborando ainda para o aparecimento de problemas de ansiedade ou depressão, devido ao estresse proporcionado. Tal panorama é apresentado pelo episódio “Nosedive”, da série norte-americana “Black Mirror”, na qual uma mulher é levada a loucura pela pressão das redes sociais..
Diante do exposto é nítida a necessidade de discussão acerca do assunto. Portanto, cabe ao governo, por meio do Ministério Público, ratificar com rigorosidade as regras impostas sobre o uso da mídia, provando que a liberdade de imprensa não consolida as redes sociais como uma terra sem lei e que existem limites a serem respeitados, buscando diminuir os incidentes entre vidas privadas e o setor midiático. Outrossim, cabe aos próprios cibernautas o papel de consolidarem as redes sociais como um ambiente seguro e de conforto, livre para exporem seus pensamentos sem se tornarem vítimas do culto ao cancelamento e de perseguições, mas reconhecendo que existem limitações a serem traçadas, pondo um fim a sua superexposição como mostrado no filme “Nerve”.