Superexposição nas redes sociais

Enviada em 19/12/2020

Um episódio da série televisiva Black Mirror exibe uma sociedade fictícia, na qual as pessoas exibem na Internet tudo que fazem em suas vidas pessoais com intuito de receber avaliações positivas. Fora da ficção, a realidade apresenta-se de forma parecida, tendo em vista a superxposição nas redes sociais. Tal atitude possui consequências negativas, porém a escassa abordagem e a influência social  contribui para a permanência desse problema.

Primeiramente, vale destacar que o silenciamento dos riscos desse hábito perigoso colabora com esse cenário. Sob essa ótica, o filósofo alemão Jurgen Habermas traz uma contribuição ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Contudo, a mídia negligencia o debate sobre os efeitos da autoexposição excessiva, o que coopera na incompreensão dos danos mentais atrelados a esse comportamento, haja vista a explanação do ex-presidente do Facebook, Sean Parker - publicada no “Portal Época” - de que a rede social funciona explorando uma vulnerabilidade na psicologia humana. Nesse sentido, é notório a crucialidade de trazer à pauta essa problemática e debetê-la.

Ademais, é pertinente destacar que a sociedade interfere na conduta pessoal. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, as normas culturais  podem exercer controle social. Nesse viés, é indubitável que a  cultura digital de autopromoção cria paradigmas e, por conseguinte, valoriza o narcisismo - conceito da psicanálise oriundo do personagem Narciso, um símbolo máximo da vaidade na mitologia grega que se apaixonou por sua própria beleza ao vê-la refletida no lago. Além disso, existe a síndrome de FOMO - singla em inglês que significa medo de perder algo - que consoante à revista científica americana SCIENCE, tal patologia provoca necessidade de estar conectado às redes, gera preocupações sobre a autoimagem corporal e sensação de inferioridade.

Depreende-se, portanto, a necessidade de intervenção nesse quadro. Logo, cabe ao Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Comunicação, elaborar conteúdos publicitários para elucidar a relevância da discussão e os riscos da ostentação desmoderada. Isso pode ser feito mediante transmissões ao vivo nas mídias de grande acesso e palestras com profissionais da área da saúde,  a fim de esclarecer dúvidas e disseminar informações seguras para todos. Sendo assim, encontraria-se um modo de agir por uso da linguagem, conforme propõe Habermas.